11 Dicas para driblar os principais desconfortos na gravidez

Autor: Dr.Dani Ejzenberg

Para enfrentar todas as transformações que a tão sonhada gravidez proporciona, é importante ter um bom acompanhamento médico e seguir alguns cuidados para amenizar alguns desconfortos na gravidez comuns durante os nove meses. Confira, a seguir, os mais comuns e como você pode amenizá-los.

1. Enjoos

As causas desse típico sintoma, segundo especialistas da área, podem ser físicas e até psicológicas. Neste último caso, quando existe a não-aceitação, mesmo que seja inconsciente, da gravidez. Normalmente, o enjoo pode vir acompanhado de refluxo e azia. Isso ocorre porque a mudança hormonal diminui o ritmo da digestão e pelo relaxamento da válvula que separa o esôfago do estômago. Outro fator que poderia contribuir seria uma carência da vitamina B6 no organismo da gestante, ocasionada pelo aumento da necessidade do complexo B para a formação do bebê e por uma dieta inadequada.
O que fazer – Evite o consumo de alimentos industrializados, de cafeína, de açúcar refinado, de refrigerantes e chás mate e preto. Vale, também, diminuir a ingestão de temperos picantes, alimentos gordurosos, não ingerir muito líquido e não  deitar logo após as refeições.  Além disso, não fique muito tempo com o estômago vazio. O ideal é alimentar-se a cada três horas, e em pequenas quantidades.

2. Sono excessivo

Entre as várias modificações no organismo, está a diminuição da pressão arterial nos três primeiros meses da gravidez. Quando essa queda fisiológica da pressão arterial vem associada a altas temperaturas no verão, por exemplo, pode deixar a mulher sonolenta e mais cansada.
O que fazer – A primeira providência é, sempre, beber, no mínimo, dois litros e meio de água por dia. Evitar caminhar nos horários mais quentes do dia e evitar locais pouco ventilados. Esses cuidados ajudam a amenizar essa alteração que, acredite, vai melhorar  após o primeiro trimestre.

3. Vontade frequente de urinar

Durante a gravidez, as alterações hormonais e o crescimento do útero, que  tende a comprimir a bexiga, promoverão um desejo frequente de urinar ainda que em pequenas quantidades.
O que fazer – Nunca evite às idas ao banheiro.  É importante esvaziar a bexiga toda vez que tiver vontade de urinar. Alterações na cor e no odor da urina devem ser comunicadas ao obstetra. Dor ou desconforto ao urinar são sinais de alerta.

4. Cãimbras

Infelizmente é uma queixa frequente, principalmente após o sexto mês de gestação e, principalmente, no final da gravidez.
O que fazer – Pode ser utilizado, a critério do médico, suplementação de vitaminas B e C, cálcio e magnésio. Também podem ser empregados alongamentos, terapia com calor e massagens. Mas vale ressaltar que faltam evidências científicas sólidas para avaliar o real valor de todas as terapias e se alguma é superior à outra.

5. Vasinhos nas pernas

Por causa da compressão dos vasos pélvicos e abdominais, decorrentes do crescimento do útero durante a gestação e pelo inchaço, pode ser que surjam ou aumente o número de vasinhos em suas pernas.
O que fazer – O uso de meias elásticas com tamanho e compressão adequadas para cada paciente deve ser considerado, excetuando-se os locais muito quentes. Dor apenas em um dos membros, que pode vir acompanhada de inchaço e  vermelhidão, é sinal de alerta e, por isso, você deve comunicar esses sintomas ao seu obstetra.

6. Manchas de sol

Existe na gestação um risco de aparecimento das temidas manchas,  principalmente nas regiões do buço e das bochechas. Elas são causadas por alterações hormonais próprias da gestação, associadas à exposição ultravioleta sem proteção adequada, que promovem um aumento da melanina.
O que fazer – Se a pele manchar durante a gravidez, pouco se pode fazer, pois a maioria dos tratamentos só é permitido no pós-parto. Por isso, é importante a prevenção. Use protetor solar com fator a partir de 25, mesmo quando estiver em casa, não se exponha ao sol nos horários mais críticos e lembre-se de usar chapéu com abas largas ou viseiras nas caminhadas ou idas à praia e à piscina.

7. Acne

Durante a gestação existem relatos de aumento ou melhora da acne, devido ao aumento da atividade das glândulas produtoras de gordura na pele.
O que fazer – Para gestantes com pele oleosa é indicado sabonete específico para pele oleosa e protetor solar em forma de gel. Em casos mais severos, vale consultar um dermatologista, que indicará sabonetes formulados e específicos para o problema. Não se esqueça de alertar se estiver no inicio da gestação, visto que alguns tratamentos contra a acne são proibidos durante a gravidez.

8. Inchaços

Mulher grávida, vestida de branco, sentada na cama com as duas mãos na barriga.
As mudanças hormonais e no corpo são inevitáveis. Por isso, é fundamental fazer todo o pré-natal com um bom médico.

O inchaço ocorre mais comumente no final da gestação. Pode ser desde discreto, afetando os membros inferiores, até no corpo todo. Geralmente, este sintoma é mais frequente a partir de 20 semanas de gestação. Vale lembrar que edema das mãos e face, ou associado ao aumento da pressão arterial, é um sinal de alerta. Por isso, seu médio deve ser avisado.
O que fazer – Manter as pernas em posição elevada, utilizar meias elásticas e restringir o consumo de sal podem ajudar na redução desse desconforto.

9. Entupimento nasal

O inchaço da mucosa nasal dificulta a passagem do ar, e pode gerar dificuldade para respirar pelo nariz. A presença de rinite alérgica ou desvio do septo nasal pode acentuar este desconforto.
O que fazer – A lavagem nasal com soro fisiológico pode melhorar o edema para algumas pacientes. Mas quando o incomodo persistir, é necessária uma avaliação médica para avaliar a necessidade de tratamento adicional, como o uso de corticosteroide tópico.

10. Hemorroidas

No período gestacional, devido à dificuldade de retorno do sangue do abdômen e membros inferiores ao coração e, consequente, aumento da pressão nas veias, pode ocorrer o aparecimento de hemorroidas – sistema de veias que envolve o reto e o canal anal. Esse aumento do calibre das veias pode ser interno ou externo, e pode ocasionar dor e sangramento na evacuação.
O que fazer – O tratamento na gestação é principalmente clínico, através de mudanças nos hábitos alimentares, uso de laxantes e analgésicos, quando receitados pelo seu médico. A indicação cirúrgica pode ocorrer nos casos de difícil controle e de tromboses das hemorróidas.

11. Alterações visuais

O edema que ocorre no corpo todo também  pode levar a alterações visuais e demandar mudanças temporárias de grau para quem utiliza lentes de contato ou óculos.
O que fazer – Se você notar dificuldade para enxergar, vale a pena consultar o oftalmologista. Pontos escuros ou brilhantes na visão podem estar associados a aumentos da pressão arterial. Nesse caso, é importante avisar o seu médico.

Rosto com óculos, sorrindo, de médico com jaleco branco.Consultoria: Dr.Dani Ejzenberg, Ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana. CRM 100673.  é médico especializado em Reprodução Humana (Infertilidade), Ginecologia e Obstetrícia. É formado pela Faculdade de Medicina da USP, com residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Tem especialização em Reprodução Humana no Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC/FMUSP. É Médico da Ginecologia/FMUSP responsável pelo primeiro transplante uterino – com sucesso e com doadora falecida – no mundo. O primeiro bebê de útero transplantado nasceu em 5 de dezembro de 2018, no Hospital das Clínicas, São Paulo – Brasil. Ele representa um avanço da medicina que vem dar esperança a muitas mulheres tentantes.
E é professor dos cursos teórico e prático de graduação da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP desde 2004.
Conquistou os seguintes títulos:
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia TEGO-FEBRASGO
Especialista em Endoscopia Ginecológica – Histeroscopia Diagnóstica e Cirúrgica FEBRASGO
Especialista em Reprodução Humana – Febrasgo
Mestrado em Ginecologia e Obstetrícia no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia HC-FMUSP
Doutorado em Reprodução Humana pelo Departamento de Ginecologia e Obstetrícia HC-FMUSP
Atua nos seguintes centros médicos:
Centro de Reprodução Humana Mário Covas do Hospital das Clínicas-FMUSP – Médico supervisor
Hospital das Clínicas – Médico da equipe do Pronto Socorro de Ginecologia
Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês, Oswaldo Cruz, Nove de Julho, São Luiz, Santa Catarina, Pro Matre Paulista, Santa Joana entre outros – Médico pertencente ao corpo clínico
Participa como autor e/ou co-autor de diversos livros na área de Reprodução Humana.
Apresentou 42 trabalhos em congressos estaduais, nacionais, latino-americanos e mundiais e tem quatro trabalhos premiados em eventos científicos. Além de 14 artigos publicados em bases internacionais, inclusive na prestigiada revista The Lancet (dezembro 2018).
Site: www.hisaudedamulher.com.br
Instagram: @hisaudedamulher

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