20 Mitos e verdades sobre infertilidade feminina

Com o acesso às mais variadas informações, é comum que surjam muitas dúvidas em relação à esterilidade feminina. No entanto, segundo o Dr. Ricardo Luba, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, é preciso ter critério para avaliar o que é verdadeiro e o que é falso. Confira, a seguir, os mitos e as verdades sobre esse assunto.

MITOS

1. Mulheres com apenas uma trompa e um ovário não conseguem engravidar.

MITO. Se o ovário produzir óvulos e a trompa não estiver obstruída, a mulher consegue, sim, engravidar.

2. Mulheres com ovários policísticos não têm chances de engravidar.

MITO. A SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) pode, realmente, levar à falta de ovulação cronica. Mas isso não quer dizer que a gravidez seja impossível. Prova disso é a existência de casos de mulheres que conseguem engravidar naturalmente.

3. Quando a mulher tem o útero voltado para trás (retrovertido) fica muito mais difícil de engravidar.

MITO. Ter o útero retrovertido não ocasiona um problema para engravidar, afinal, o útero está no mesmo lugar.

4. Quem já sofreu abortos naturais tem menos chance de engravidar.

MITO. Abortos espontâneos não impedem nem atrapalham futuras gestações. Mas vale lembrar que, no caso de curetagem – cirurgia, que retira os restos ovulares de um abortamento –, pode ocorrer a formação de aderências intrauterinas conhecidas por sinéquias, o que pode sim dificultar gestações quando não diagnosticadas.

5. Quando a mulher menstrua muito cedo tem mais dificuldade para engravidar.

MITO. Não existe nenhuma relação da idade da primeira menstruação com a dificuldade da mulher engravidar.

6. Chá naturais e alimentos afrodisíacos aumentam as chances de gravidez.

MITO. Não existe comprovação científica sobre o assunto. O que pode acontecer é que algumas ervas, como a camomila e a erva-cidreira, acalmam algumas pessoas. E, assim, contribuem para a pessoa ficar mais relaxada. Em relação aos alimentos, eles podem, no máximo, aumentar a libido. No entanto, não alteram a capacidade de engravidar.

7. Óvulos congelados ficam velhos.

MITO. A vitrificação é uma das técnicas mais modernas para o congelamento de óvulos, que são envolvidos em uma solução gelatinosa para proteger o tecido biológico de qualquer dano que possa ser causado pelo congelamento ou criopreservação. Os óvulos são congelados a uma temperatura de (-196°C) nos tanques de nitrogênio líquido. Essa solução, chamada de crioprotetora, conserva a estrutura celular intacta.

8. O uso contínuo do anticoncepcional é uma forma de poupar óvulos.

MITO. O anticoncepcional faz que a mulher não libere o óvulo, mas a perda de folículos e a diminuição do estoque de óvulos são contínuas. Isso acontece independentemente de ela usar anticoncepcional ou não, ou se menstrua ou não regularmente.

9. Casais com menos de 35 anos de idade não têm problemas para engravidar.

MITO. Estudos recentes revelam que cerca de 15 a 20% dos casais podem sofrer de infertilidade. Por isso, após doze meses de tentativas, se a gravidez não ocorrer, é recomendável que se procure um médico especialista em reprodução humana para a realização de exames específicos para investigar o que está acontecendo.

10. A mulher que faz tratamento para engravidar terá gêmeos ou trigêmeos.

MITO. Estudos comprovam que o índice de gerar mais de um bebê, após tratamentos e técnicas – como fertilização in vitro ou inseminação artificial – é de 20%.

VERDADES

Mulher com esterilidade feminina deitada sobre folhas secas na estação do outono
Sim. Após os 35 anos é mais difícil engravidar naturalmente.

1. Depois dos 35 anos, é mais difícil engravidar naturalmente.

VERDADE. A chance de engravidar, em relação ao número de tentativas por mês, é de 20% aos 25 anos; 15% aos 35 anos; 5% aos 40 anos; e 2% aos 43 anos.

2. Os agrotóxicos podem causar infertilidade.

VERDADE. O uso contínuo de alimentos com agrotóxicos pode causar, além de infertilidade, abortos, impotência, câncer e malformações fetais. Por isso, é fundamental ter uma alimentação equilibrada e bem balanceada. Uma boa alternativa é diminuir a ingestão de carnes vermelhas e aumentar o consumo de verduras, frutas e legumes orgânicos.

3. Quem malha excessivamente tem mais dificuldade para engravidar.

VERDADE. O excesso de exercícios diminui a quantidade de gordura no organismo e, consequentemente, a produção hormonal sofre alterações. Para se ter uma ideia, uma queda grande no nível de estrogênio pode produzir a amenorreia, que é a ausência de menstruação.

4. As chances de gravidez, depois dos 40anos, são maiores com a ovodoação.

VERDADE. A taxa de gestação com óvulos doados são de 50 a 60%. Isso acontece porque as doadoras de óvulos têm entre 25 a 35 anos de idade.

5. O fumo, o álcool e as drogas prejudicam a fertilidade.

VERDADE. Cigarro, bebidas alcoólicas e outros tipos de drogas prejudicam muito a fertilidade. Os homens podem produzir espermatozoides com morfologia alterada e com dificuldade de locomoção. No caso da mulher, as drogas alteram a qualidade dos óvulos, além de ocasionar a menopausa precoce e osteoporose.

6. A obesidade pode causar infertilidade.

VERDADE. Já está comprovado que a obesidade ocasiona importantes disfunções hormonais que, consequentemente, prejudicam o ciclo menstrual e a ovulação. Além disso, no caso de indução da ovulação para ciclos de reprodução assistida, o excesso de peso diminui a resposta ovariana às medicações, levando a uma menor quantidade de óvulos.

7. O stress prejudica a fertilidade.

VERDADE. Situações extremas de ansiedade, pressão e estresse podem provocar disfunções hormonais e alterar o ciclo hormonal.

8. Doenças sexualmente transmissíveis podem alterar a fertilização.

VERDADE. Cerca de 25% dos casos de infertilidade podem ter relação com doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) como HPV, sífilis, tricomoníase, clamydia, ureaplasma e neisseria gonorreae.

9. A endometriose causa infertilidade.

VERDADE. Cerca de 30 a 40% das mulheres que sofrem de endometriose têm infertilidade, no entanto, apesar de ser a principal causa de infertilidade no mundo, não é toda mulher que tem endometriose que não consegue engravidar.

10. Magreza excessiva afeta a fertilidade.

VERDADE. Mulheres com magreza extrema têm diminuição na produção de leptina, um hormônio importante e necessário durante o ciclo menstrual.

*Consultoria

Dr. Ricardo Luba, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana. Graduado pela Faculdade de Medicina ABC, com residência médica no Hospital Leonor de Barros e Fellowship em reprodução humana pelo IVI SP.
Instagram @ginecologialuba

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