7 Verdades sobre a infertilidade masculina

1. Usar o notebook no colo causa infertilidade masculina?

O uso do laptop ou notebook no colo pode aquecer demais os testículos e prejudicar a produção e a qualidade das células reprodutivas masculinas, causando a infertilidade masculina. Essa prática pode afetar, ainda,  a motilidade e causar fragmentação de DNA nos espermatozoides. Isso acontece porque os gametas masculinos depende muito de uma temperatura adequada para manter a saúde.

Porém, estudos recentes associaram o problema à radiação emitida pelo uso de redes de internet sem fio (wireless). E não somente pelo excesso de calor. Ou seja, de qualquer modo, não é recomendado usar o aparelho dessa forma. De acordo com as pesquisas, ficar de quatro a cinco horas com o computador no colo já é prejudicial.

2. A idade do homem atrapalha na fertilidade?

Antigamente acreditava-se que não, pelo fato do homem produzir espermatozoides a vida toda, diferente da mulher que tem seu estoque de óvulos predeterminado e reduzido no decorrer da vida até chegar à menopausa. No entanto, estudos atuais têm relacionado a idade com a baixa qualidade e motilidade dos espermatozoides. Essa redução acontece ao longo dos anos, como um processo de envelhecimento natural que dificulta a fertilização.

A comprovação veio por meio de um estudo feito pela Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, apresentado na 33ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em julho de 2017. Ele analisou ciclos de Fertilização In Vitro entre 2000 e 2014 e concluiu que, conforme a idade do homem era maior, as taxas de gravidez diminuíam. Ou seja: o homem também tem seu relógio biológico reprodutivo.

3. O uso excessivo de álcool, cigarro e outras drogas pode causar infertilidade?

Sim. Além de ser prejudicial à saúde, o consumo de álcool, cigarro e drogas, como a maconha e a cocaína, pode tornar homens e mulheres inférteis. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, homens e mulheres fumantes têm três vezes mais chances de sofrerem de infertilidade. Quando comparados aos não fumantes. O uso dessas drogas pode causar danos na produção de espermatozoides, na motilidade e outras deficiências. Isso dificulta a fecundação.

4. Usar cueca apertada pode prejudicar a fertilidade masculina?

De acordo com um estudo recente, realizado pela Faculdade de Saúde Pública de Harvard, em conjunto com a Clínica de Fertilidade do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, publicado na revista Human Reproduction, em agosto de 2018, sim. O uso de cuecas muito apertadas pode inibir a produção de espermatozoides.

O estudo coletou amostras dos sêmen de 660 homens entre 32 e 39 anos. Todos buscavam tratamento para fertilidade e responderam questionário sobre o tipo de cueca que usaram nos três meses anteriores, como boxer e samba-canção. O resultado mostrou que 53% dos homens usuários de samba-canção tiveram 25% mais espermatozoides comparados àqueles que usavam modelos mais justos, como as boxers. Eles também tinham maior concentração de espermatozoides, capazes de fertilizar um óvulo.

5. DSTs podem causar infertilidade?

Sim. As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são responsáveis por cerca de 10% dos casos de infertilidade masculina. Elas causam inflamações nos órgãos reprodutores, prejudicando o seu funcionamento.

6. Homens diagnosticados com câncer podem ficar estéreis?

Isso pode acontecer por conta da medicação usada em tratamentos de rádio e quimioterapia. É comprovado cientificamente que esse tipo de medicação afeta a fertilidade humana. Por isso, antes de iniciar esse tipo de tratamento, o ideal é que o homem preserve sua fertilidade fazendo o congelamento do sêmen.

7. A varicocele pode levar à infertilidade masculina?

Sim, visto que é a doença mais comum relacionada à redução da fertilidade masculina. A varicocele causa varizes no cordão espermático, que transporta o sangue do testículo e deixa suas células expostas a radicais livres. A doença pode reduzir a produção de espermatozoides e causar atrofia testicular. Porém, pode ser tratada. Se houver um diagnóstico precoce, há maiores chances de a doença não causar infertilidade masculina.

Veja também: 4 Mitos mais comuns sobre infertilidade no homem

4 Mitos mais comuns sobre infertilidade no homem

1. Há mais casos de infertilidade feminina do que masculina?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) há de 60 a 80 milhões de casais inférteis no mundo, ou seja, 15% da população. Homens e mulheres, porém, têm as mesmas chances de apresentarem infertilidade por algum motivo, sendo em torno de 30% para cada um.

2. A infertilidade no homem causa perda da libido?

Não. A infertilidade no homem só diz respeito ao fato de poder gerar um filho biológico e nada tem a ver com o apetite sexual. A impotência sexual é a incapacidade ou dificuldade de ter ou manter uma relação sexual prazerosa. O homem pode ter impotência, mas não ser infértil ou ser infértil, mas ter uma vida sexual ativa.

3. Andar de moto ou bicicleta pode causar infertilidade?

Infertilidade no homem. Ciclista pedalando em competição.
MITO: O ciclismo não provoca disfunção erétil e distúrbios genitais.

O assunto é bastante polêmico, visto que existem estudos científicos que revelam que o ciclismo pode provocar disfunção erétil e distúrbios genitais. No entanto há outros estudos que não constataram evidência sólida sobre o fato. De acordo com recente pesquisa publicada no Journal of Urology, da Associação Americana de Urologia, em 2017, a resposta a esse estigma é negativa.

A pesquisa comparou a função urinária e erétil de 2.774 ciclistas, 539 nadadores e 789 corredores. Os ciclistas também responderam a perguntas sobre a frequência e distância que eles pedalaram, quais bicicletas usaram e onde pedalaram. Além dessas questões, foram consideradas ainda uma série de outras variáveis. O resultado mostrou que os ciclistas não tinham mais problemas urinários ou de saúde sexual do que outros atletas.

Alguns estudos sugerem que a impotência pode estar relacionada a vários outros fatores. Um deles, por exemplo, é a frequência com a qual utiliza-se esse veículo. Uma pesquisa da Universidade Federal Paulista (Unifesp) relatou que a disfunção erétil atinge 40% dos ciclistas.

Já a ocorrência de impotência em homens que correm longas distâncias ou andam a cavalo chegou à 22%. A causa seria o formato do assento da bicicleta, porque quanto mais fino, maior pressão exerce nos nervos responsáveis pela ereção. Assim, o contato com o selim poderia causar traumas na bolsa escrotal. Por ser um assunto sem muitas conclusões, vale a pena se prevenir, caso esteja querendo ter um filho.

4. As técnicas de reprodução humana assistida só resolvem problemas de infertilidade feminina?

As técnicas de reprodução humana se aplicam tanto a fatores masculinos quanto femininos. Um exemplo é o caso do homem que produz espermatozoides normalmente e que, teoricamente, poderia gerar um filho. Mas, se os espermatozoides tiverem baixa motilidade, não conseguem chegar ao óvulo para fertilizá-lo e esse pode ser o motivo pelo qual o casal não engravida naturalmente após inúmeras tentativas. A técnica de Fertilização in Vitro (FIV) pode ajudar na infertilidade no homem, colhendo os espermatozoides e óvulos do casal para realizando a fertilização em laboratório e aplicar o embrião direto no útero da mulher.

Veja mais: Quais os tratamentos para infertilidade masculina? e Fertilidade masculina e alimentação: a nutrição é uma aliada?

Fertilidade masculina e alimentação: a nutrição é uma aliada?

A fertilidade masculina e a alimentação estão relacionadas? Sim. Quem sonha em ser pai deve cuidar da nutrição para ter espermatozoides saudáveis e facilitar a fertilização do óvulo. E quando se fala de espermatozoides, há três coisas a serem observadas e que influem na fertilidade do homem: a quantidade, a qualidade e a motilidade. Esta última é a capacidade de movimentação para ir ao encontro do óvulo e fertilizá-lo.

Mas como conseguir isso? A nutrição é uma forte aliada para esses três fatores. Por isso, é muito importante ter uma dieta balanceada e a análise de um nutricionista, para saber se o organismo está com falta ou excesso de algum mineral ou vitamina. Ou seja, a utilização de vitaminas ou suplementos jamais deve ser feita sem orientação médica especializada. Conheça as vitaminas e minerais que podem ajudar – e muito – os futuros papais.

Carnitina

É um aminoácido que tem como principal função dar energia aos espermatozoides, o que é essencial para sua motilidade. Tudo acontece no epidídimo, um pequeno duto onde ficam os espermatozoides produzidos pelos testículos. O esperma epididimal utiliza a oxidação dos ácidos graxos (ômegas 3, 6 ou 9) como principal fonte de energia, e a carnitina é fundamental para o transporte desses ácidos dentro das células. Se houver baixo nível desse aminoácido a produção de energia é reduzida, podendo causar alterações na motilidade dos espermatozoides.

Fontes: alimentos de origem animal fornecem dois aminoácidos, lisina e metionina, que fazem com que o próprio organismo produza a carnitina. Vegetarianos e veganos precisam ficar de olho na dieta, pois a restrição alimentar pode comprometer seus níveis de produção.

Zinco

É importantíssimo para o bom funcionamento do sistema reprodutivo masculino, visto que o esperma tem alta concentração desse mineral. Homens com infertilidade possuem menores quantidades de zinco e sua falta pode estar associada à diminuição dos níveis de testosterona e da quantidade de espermatozoides. Nesses casos, a suplementação do mineral pode ajudar nos tratamentos para fertilidade masculina.
Fontes: carnes, peixes, laticínios, feijão e oleaginosas, como avelãs, amêndoas, nozes e castanhas.

Antioxidantes

Mesa com cesto com ovos, prato com manteiras, flores margaridas e garrafa de vidro com leite.
Alta concentração de oxidante, em vez de ajudar, pode danificar as células espermáticas, levando a problemas na fertilidade masculina.

Os antioxidantes são muito relacionados a questões estéticas, pois controlam os radicais livres, que causam o envelhecimento da pele. No entanto, esses radicais livres também ajudam na fertilização e estão presentes nos espermatozoides. O problema é que eles precisam estar na quantidade adequada, pois altas concentrações podem danificar as células espermáticas, causando um desequilíbrio no organismo, o que pode levar a problemas de infertilidade.

É função dos antioxidantes manter esse controle dos radicais nos espermatozoides e, por isso, são essenciais na dieta. Diversas vitaminas são antioxidantes, como B12, C e E. Conheça alguns e quais suas fontes:

Vitamina B12

Está relacionada à replicação celular, principalmente para a síntese de material genético (DNA e RNA), e sua deficiência está associada à diminuição da quantidade e da motilidade dos espermatozoides. A suplementação da vitamina B12 pode ser feita para homens que possuem níveis muito baixos de espermatozoides (menos de 20 milhões/ml) ou com a taxa de motilidade menor do que 50%, ajudando a combater a infertilidade.
Fontes: laticínios, ovos, peixes, carnes e feijões.

Vitamina C ou ácido ascórbico

Você sabia que tem muito mais vitamina C no sêmen do que no sangue? A baixa quantidade dessa vitamina pode causar danos ao material genético dos espermatozoides e problemas de motilidade, levando à infertilidade. É um poderoso antioxidante e sua suplementação pode ajudar a aumentar a fertilidade masculina, sendo possível receber essa vitamina na própria alimentação.
Fontes: frutas cítricas, como laranja, limão e maracujá; outras frutas, como abacaxi, acerola, açaí, caju, morango, kiwi; e vegetais, como abóbora, agrião, alface, beterraba e brócolis.

Vitamina E

A vitamina E também é antioxidante e a mais presente nos espermatozoides. Por isso, os protege contra os radicais livres e a oxidação. Seu déficit pode afetar a motilidade do espermatozoide tanto para uma gestação natural, como em um tratamento de Fertilização In Vitro. Por isso, quem deseja ser pai deve ingerir alimentos ricos em vitamina E ou ter a suplementação feita por orientação de especialista. Esse cuidado irá ajudar na melhora da movimentação dos espermatozoides e, consequentemente, da fertilidade masculina.
Fontes: sementes de abóbora, ovos, azeite de oliva, abacate, vegetais verde-escuros e cereais integrais.

Glutationa
Fertilidade masculina e alimentação. Parto com carne, molho e vegetais.
A carne minimiza os efeitos dos radicais livres e auxilia nas estruturas epididimais e testiculares.

Esse antioxidante minimiza os efeitos dos radicais livres no plasma dos espermatozoides, dando melhores condições para as estruturas epididimais e testiculares.
Fontes: cebola, alho, legumes e verduras in natura, carnes magras, pescados e frutas frescas.

Selênio

Esse nutriente está presente em diversos órgãos do corpo, embora apareça em grande quantidade nos testículos e ductos seminais ligados à próstata. Ele é essencial para a produção dos espermatozoides. A falta do selênio pode causar deficiência na morfologia do espermatozoide. Assim, fraco ou deformado, ele acaba perdendo sua motilidade.

Por outro lado, sua função antioxidante previne os danos dos radicais livres e, agindo em conjunto com a vitamina E, é capaz de aumentar a movimentação do esperma.
Fontes: oleaginosas, como avelãs, amêndoas, nozes e castanhas; peixes e frutos do mar; feijão; fígado bovino; peito de frango;produtos à base de cereais integrais, como pães e arroz.

Coenzima Q 10

É uma substância química produzida pelo organismo, mas que também pode ser obtida pela alimentação. Nas células espermáticas, ela está envolvida na produção de energia, ou seja, está relacionada à movimentação dos espermatozoides. A Coenzima Q10 também melhora a qualidade do sêmen em pacientes com infertilidade e previne efeitos dos radicais livres.
Fontes: carne, aves e peixes.

Veja também: Infertilidade masculina e as principais causas e Quais os tratamentos para infertilidade masculina?

Doador de esperma no Brasil. O que pode ou não pode?

O  Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a doação de gametas (doação de esperma) deve ser anônima, ao contrário de outros países como os EUA, por exemplo. Aqui, casais que pretendem ter filhos por meio de técnicas como Inseminação Artificial ou Fertilização In Vitro, com sêmen ou óvulos doados não podem conhecer o doador, assim como o doador jamais saberá quem é o receptor. Veja como se dá todo o processo de doação de esperma no Brasil.

Quem pode ser um doador de esperma?

Qualquer pessoa pode se candidatar a ser um doador de esperma, desde que seja voluntário, visto que a legislação brasileira não permite o comércio desse serviço. Porém, existem algumas regras, como em relação à idade, que é de 18 a 40 anos.

Também é solicitada uma análise criteriosa da saúde do doador. Ele não pode ter histórico de doença genética ou crônica própria ou na família. Também não é aceito histórico de doenças sexualmente transmissíveis e malformações. O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda determina que a doação de gametas deve ser anônima.

Quais características podem ser reveladas sobre o doador?

No Pro-Seed – Programa de doação de espermatozoides, por exemplo, um dos maiores do Brasil, é possível conhecer as seguintes características do doador de sêmen:

As clínicas no Brasil usam programas de doação de gametas próprios restritos aos pacientes de cada clínica e a doação é voluntária, ou seja, não é paga como acontece lá fora, mas o Brasil tem a mesma competência para os processos que envolvem doação de gametas e oferece a mesma segurança”, explica Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e diretor da Genics Medicina Reprodutiva.

Na maioria das clínicas brasileiras, como na Genics Medicina Reprodutiva, também é possível ter acesso a essas informações, além do estado completo de saúde do doador de esperma. “Os processos brasileiros são de excelente qualidade. Acontece é que não existem campanhas e políticas para doação de gametas.

Exames solicitados para avaliar a saúde do doador de esperma

Durante a avaliação clínica do doador, ele é submetido aos seguintes exames:

Como é o processo de armazenamento do sêmen?

A coleta do esperma para o programa de doação é feita em hospitais e clínicas de reprodução humana, por meio da masturbação masculina, mas existem casos em que pode ser realizada por cirurgia. Após a coleta é feita a análise seminal, que verifica a saúde dos gametas.

Estando dentro dos parâmetros, o material é armazenado por meio da técnica de criopreservação – processo de congelamento do material em nitrogênio líquido a 196 ºC, o que permite seu uso no futuro em processos de reprodução humana assistida, como a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial. Normalmente os médicos procuram oferecer amostras de doadores que tenham características físicas parecidas com a do receptor, como cor dos olhos, do cabelo e da pele.

Segundo Philip Wolff, a criopreservação também é empregada antes de procedimentos cirúrgicos que possam afetar a capacidade do homem em produzir espermatozoides. Pacientes que serão submetidos à vasectomia ou a tratamentos específicos de quimioterapia e radioterapia, que geralmente causam danos irreparáveis ao tecido germinativo masculino, também se beneficiam com essa técnica.

“A criopreservação de espermatozoides também tem sido empregada para armazenar células excedentes, provenientes de aspirados do epidídimo ou do testículo, para eventual uso em técnicas de reprodução assistida de alta complexidade (como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide – ICSI). Os mesmos métodos também são utilizados para armazenar espermatozoides obtidos durante a reconstrução microcirúrgica do trato genital masculino (Vasovasostomia e Vasoepidídimostomia), como uma provável garantia de resguardar a fertilidade futura do homem”, explica Wolff.

Veja também: Ovodoação: saiba tudo sobre o processo

O que é programa de doação de espermatozoides e quem pode ser doador?

O programa de doação de espermatozoides é um local de armazenamento de esperma e sêmen, de doadores voluntários. O programa preserva o material por meio de congelamento no nitrogênio líquido, a 196ºC. O processo chamado de criopreservação permite o uso do material no futuro em processos de reprodução humana assistida, como a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial.

Quem pode se beneficiar do programa de doação de espermatozoides?

A doação feita no programa pode ajudar homens inférteis com ausência, baixa concentração ou baixa qualidade de espermatozoides. Um exemplo disso são os ex-pacientes de câncer. Eles são beneficiados pela doação porque geralmente ficam estéreis devido à medicação presente na rádio e quimioterapia.

Homens com distúrbios genéticos ou doenças contagiosas, como HIV, também podem decidir por não utilizar o próprio sêmen e optar por um doador. Assim, a partir do uso dos gametas de um doador, o homem infértil ganha a possibilidade de ser pai.

As doações também ajudam mulheres sem parceiro masculino que desejam ter um filho em uma produção independente. O mesmo vale para casais homoafetivos e homens com vasectomia, sem chance de reversão, que querem ser pais novamente.

Quem pode ser doador de sêmen?

Qualquer pessoa pode ser doador, desde que seja voluntário, pois a legislação brasileira não permite o comércio desse serviço. Porém existem algumas regras, como em relação à idade, que é de 18 a 40 anos.

Também é solicitada, normalmente, uma análise criteriosa da saúde do doador, porque ele não pode ter histórico de doença genética ou crônica própria ou na família. Também estão vetados doadores com doenças sexualmente transmissíveis e malformações. Uma outra regra é que o Conselho Federal de Medicina (CFM) exige a doação de gametas anônima.

Como é a doação de espermatozoides?

A coleta do esperma para o programa é feita em hospitais e clínicas de reprodução humana, por meio da masturbação masculina, no entanto, existem casos nos quais pode ser feita por cirurgia. Após a coleta é realizada a análise seminal, para avaliar a saúde dos gametas.

Se tudo estiver dentro dos parâmetros, o material é armazenado por meio da criopreservação. Os médicos oferecem amostras de doadores com características físicas semelhantes a do receptor, como cor dos olhos, do cabelo e da pele.

Veja mais: Inseminação e fertilização: qual é a diferença?

DSTs podem causar infertilidade?

As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) são infecciosas e transmitidas, principalmente, através de relações sexuais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas são responsáveis por 25% das causas de infertilidade. Dessas, 15% estão nas mulheres e 10% nos homens.

DSTs mais comuns

Entre as DSTs mais conhecidas estão Aids (HIV), HPV (Human Papiloma Vírus), clamídia, gonorreia, hepatite B, herpes genital e sífilis. As menos conhecidas, mas que também colocam a saúde em risco, são tricomoníase, donovanose e HTLV. Para evitar o contágio durante as relações sexuais, o uso do preservativo, a camisinha, é o meio mais seguro.

A importância do diagnóstico precoce

O aparecimento de verrugas, secreções ou lesões na pele são sinais de que algo está errado e de que é preciso procurar um médico. Se a DST for descoberta rapidamente, o tratamento pode ser feito com antibióticos e de forma simples. Mas a maioria é silenciosa e nem sempre os sintomas aparecem, aumentando as chances de sequelas, como a infertilidade. Para prevenir, o ideal é que homem e mulher consultem frequentemente especialistas. O cuidado assegura a saúde reprodutiva dos dois.

Na mulher, a evolução de alguma dessas doenças pode afetar as tubas uterinas, caminho pelo qual o espermatozoide passa para encontrar o óvulo e fecundá-lo. As tubas podem ficar inflamadas, obstruídas e, dependendo da gravidade, precisam ser retiradas.

Em alguns casos, o comprometimento é maior e existe a necessidade da retirada dos ovários, impedindo uma gestação de forma natural.
Entre os problemas ocasionados pelas DSTs estão ainda os abortos espontâneos e a gestação ectópica ou tubária (fora do útero). Esta não permite que o feto sobreviva. A sífilis, por exemplo, além de causar abortos, pode atravessar a placenta e infectar o feto, causando malformações cerebrais no bebê.

HPV causa câncer?

O HPV, que é uma das DSTs mais comuns no mundo. Ela também é responsável por 90% dos casos de câncer de colo de útero, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Hoje, existe a vacinação contra o HPV, que deve ser feita pela mulher antes do início da vida sexual. A doença pode ser detectada pelos exames de Papanicolau ou Citopatológico. Com o diagnóstico precoce é possível tratar praticamente todos os casos da doença e, até mesmo, prevenir um câncer.

DSTs mais comuns em homens

Nos homens, os sintomas das DSTs podem ser ainda mais silenciosos. Isso pode causar infecções no canal da urina, na próstata e no epidídimo, local onde os espermatozoides amadurecem. Quando o epidídimo é infectado, os espermatozoides são comprometidos, causando a infertilidade. Vale lembrar que, se a infertilidade for constatado, pacientes com DSTs podem optar pela reprodução assistida. Exemplo disso são a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial, dependendo do caso.

Veja também: Qual é a diferença entre Fertilização In Vitro e Inseminação Artificial

Quais os tratamentos para infertilidade masculina?

Para determinar os tratamentos para infertilidade masculina, é preciso investigar a causa da infertilidade. A partir daí aumentam as chances de reverter o quadro e realizar o sonho da paternidade. Com o diagnóstico correto em mãos, o médico irá indicar o melhor tratamento.

Azoospermia e obtenção cirúrgica de espermatozoides

Quando o exame de espermograma detecta azoospermia, isso significa que há ausência de espermatozoides. Entretanto, o diagnóstico também pode indicar uma disfunção na produção ou passagem dos espermatozoides. Algumas vezes, apesar de existir produção de espermatozoides, a passagem deles é afetada por algum motivo. Outras vezes, a produção é realmente atingida, tornando-se pouca, de baixa qualidade ou nenhuma, no caso de esterilidade.

Se houver ausência total de espermatozoides, é necessário recorrer a um programa de doação de gametas para realizar o sonho da paternidade. Já quem tem uma produção baixa, mas com sêmen saudável, pode ser um indicador de passagem está obstruída. Nesse caso, os espermatozoides não conseguem encontrar o óvulo para fecundá-lo. Então há a necessidade de retirada do espermatozoide cirurgicamente, direto do testículo do paciente. Esse tratamento para infertilidade pode ser feito por punção (com sedação ou, em alguns tipos, anestesia local) ou incisão com biópsia (com anestesia local e sedação).

Depois, para o processo de reprodução humana, é usada a técnica ICSI (Intra Citoplasmatic SpermInject ou Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides). Com ela, as taxas de gravidez são de até 35 a 55%, dependendo da qualidade dos espermatozoides retirados, entre outros fatores.

Ejaculação retrógrada

Problemas de infertilidade podem ser causados por uma disfunção como a ejaculação retrógrada. Nela, a emissão do sêmen é direcionada para dentro da bexiga, inviabilizando o encontro do espermatozoide e óvulo. Nesse caso, o tratamento para a infertilidade consiste em recolher amostras de espermatozoides presentes na urina, após prévio preparo do paciente.

Em seguida, essa amostra é lavada para retirar as impurezas. O procedimento preserva a integridade dos espermatozoides e, muitas vezes, melhora as condições fisiólogas e biológicas. Se a qualidade do sêmen for boa, os espermatozoides podem ser utilizados em técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro e a Inseminação Artificial.

Reversão de vasectomia

Mão com luva manipulando tubos de ensaio em laboratório em tratamentos para infertilidade.
Após a reversão de vasectomia, o casal deve conceber naturalmente em até seis meses de tentativa. Caso contrário, será preciso realizar novos exames para detectar possíveis problemas.

Caso o paciente tenha feito uma vasectomia, procedimento cirúrgico para não ter mais filhos, e mude de ideia, é indicada a cirurgia de reversão, na qual é feita a re-anastomose dos canais deferentes. Trata-se de uma microcirurgia com anestesia local ou sedação, com duração média de 2 horas, sem exigência de internação. Depois do procedimento, o paciente deverá ficar em repouso na clínica por uma hora para observação.

Um mês após a reversão de vasectomia, caso tudo tenha ocorrido de maneira apropriada, o homem poderá engravidar a mulher. No entanto, vale lembrar que, após a reversão, o casal deve conceber naturalmente em até seis meses de tentativa. Caso contrário, será preciso realizar novos exames para detectar possíveis problemas no casal e analisar os possíveis tratamentos para infertilidade.

Veja mais: Principais causas da infertilidade masculina

Infertilidade masculina e as principais causas

A fertilidade masculina não tem uma causa específica, e, por isso, pode ter ligação com herança genética. Ela também pode ser ocasionada por uma única doença como a diabetes, ou por vários problemas de saúde.

Maus hábitos de vida, como tabagismo, uso de drogas e anabolizantes, sedentarismo e até exercícios físicos em excesso podem ser causadores da infertilidade no homem. Também fazem parte dessa lista a obesidade, exposição a produtos tóxicos e à poluição ambiental ou ocupacional, o estresse e a má alimentação.

A idade influencia na fertilidade masculina?

Apesar de o homem produzir espermatozoides pela vida toda, estudos mostram que a idade avançada pode influenciar na qualidade e quantidade do espermatozoide. Quando isso acontece, há chance de os filhos serem gerados com problemas graves de saúde. Outros fatores são as mudanças hormonais que acompanham a idade. Elas também podem influenciar na taxa de fertilidade, causando alterações genéticas nos espermatozoides.

Qual especialista procurar e que exames fazer?

Ao desconfiar de um problema de infertilidade, o homem deve procurar um andrologista, que é o especialista em reprodução humana. E entre os exames solicitados por ele está o espermograma e as dosagens hormonais.

O exame de espermograma avalia a qualidade, quantidade e a forma dos espermatozoides no sêmen. Já exames físicos e laboratoriais servem para analisar fatores que impedem a saída dos espermatozoides, os problemas nos testículos e as disfunções hormonais. Todos essas causas da infertilidade masculina são investigadas pelo especialista durante a consulta.

Caso o exame aponte ausência de espermatozoides, chamada de azoospermia, um novo exame deve ser realizado para a confirmação do diagnóstico. Associado a isso, recomenda-se testes genéticos (microdeleção do cromossomo Y) e exames físicos.

Qual é a importância do diagnóstico precoce da infertilidade masculina?

Quanto antes o exame for realizado, melhor. O diagnóstico correto permite o início do tratamento adequado, antes de a fertilidade ser mais afetada.

O exame físico da bolsa testicular também pode ser solicitado, caso o especialista suspeite de varicocele. Esta doença acomete os vasos testiculares, que é uma das principais causas de redução do potencial fértil dos homens.

Veja também: Criopreservação dos espermatozoides: o que é e quando deve ser feita

Criopreservação: o que é e como deve ser usada

A criopreservação de sêmen humano – ou de espermatozoides – tem como objetivo garantir o potencial fértil de homens que irão se submeter a procedimentos que possam comprometer a fertilidade. As amostras de sêmen são armazenadas em Programa de Doação Terapêutico, cuja finalidade é armazenar estas amostras para futuro uso, por meio de técnicas de Reprodução Assistida.

Segundo Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e diretor da Genics Medicina Reprodutiva, a criopreservação é empregada antes de procedimentos cirúrgicos que possam afetar a capacidade do homem em produzir espermatozoides.

Pacientes que serão submetidos a vasectomia ou a tratamentos específicos de quimioterapia e radioterapia também utilizam as técnicas de criopreservação. Isso porque geralmente esses procedimentos causam danos irreparáveis ao tecido germinativo masculino.

Últimos avanços da técnica de criopreservação

“Mais recentemente, a criopreservação de espermatozoides é empregada para armazenar células excedentes proveniente de aspirados do epidídimo ou do testículo. O objetivo é usá-las eventualmente em técnicas de reprodução assistida de alta complexidade (como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide – ICSI).

Os mesmos métodos também são utilizados para armazenar espermatozoides obtidos durante reconstrução microcirúrgica do trato genital masculino (Vasovasostomia e Vasoepidídimostomia). Trata-se de uma provável garantia de resguardar a fertilidade futura do homem”, explica Wolff.

11 Dúvidas frequentes sobre criopreservação de sêmen humano

1. Como é realizada a coleta?

A coleta pode ser realizada em casa e deve ser feita por masturbação, obedecendo a orientação de 2 a 3 dias de abstinência sexual. No entanto, é preciso evitar a perda da amostra durante a coleta. Geralmente são solicitadas três amostras, mas, dependendo da situação, o número de coletas fica a critério do médico e embriologista responsáveis.

Caso não seja possível coletar amostra por masturbação, a clínica ou o laboratório fornece um preservativo especial. Em casos mais severos, a coleta é realizada de acordo com o procedimento indicado pelo seu médico.

2. O processo de congelamento de sêmen implica em risco para o doador?

Não há risco algum em armazenar e criopreservar sêmen humano.

3. Como é realizado o congelamento e armazenamento da amostra a ser criopreservada?

Após a coleta da amostra, esta será encaminhada ao laboratório para avaliação dos parâmetros seminais, de acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde.
O processo de criopreservação obedece aos critérios e protocolos desenvolvidos por metodologias estabelecidas pela literatura mundial.

Todas as amostras são mantidas em solução crioprotetora e armazenadas a – 196°C. Elas são identificadas por código de barras e localizadas por intermédio de programa de computador de última geração. Assim, não há risco de perda de material nos containers de armazenagem.

4. Existe um limite de tempo para manter o sêmen criopreservado?

As amostras podem permanecer criopreservadas por tempo indeterminado. Para isso devem ser mantidas a – 196°C e em condições apropriadas de armazenagem.

5. São realizados controles de qualidade em relação à amostra criopreservada?

Sim. Todas as amostras criopreservadas, independentemente do número de coletas realizadas, são submetidas a controles de qualidade. Trata-se do procedimento “congelamento-descongelamento“, que é de vital importância para avaliar a qualidade seminal frente ao processo de criopreservação.

Para realizar este teste, pequenas alíquotas serão disponibilizadas e testadas alguns dias após a realização do procedimento. O próximo passo é a emissão de um laudo da análise qualitativa da amostra pré e pós o descongelamento. Isso tudo sempre seguindo os parâmetros estabelecidos pela OMS.

6. Após o descongelamento há perda de células?

Sim. Todo procedimento de criopreservação acarreta em algum tipo de dano do material processado. Isso significa que, dependendo da qualidade do material criopreservado, pode haver uma perda significativa de 30 a 70% ao descongelar o material.

7. Como faço para utilizar o sêmen congelado?

Após solicitação da amostra, esta pode ser enviada ao seu destinatário congelada ou pronta para ser utilizada em técnicas de reprodução assistida.

8. Quais são os exames solicitados antes de fazer a coleta?

São solicitados os exames de HIV 1 e 2, HTLV-1 e 2, Hepatite B e C, Sifilis.

9. Programa de Doação Terapêutico x Programa de Doação de Espermatozoides: qual é a diferença?

O Programa de Doação Terapêutico é utilizado para armazenar sêmen de pacientes que irão se submeter a tratamentos que possam comprometer a fertilidade masculina ou para armazenar espermatozoides antes de se submeter à vasectomia. Atualmente, também podem se submeter a esse recurso os homens com profissões de alto risco ou aqueles que irão ser submetidos a cirurgias reconstrutoras do trato reprodutor.

O programa de doação de espermatozoides é utilizado para inseminação artificial nas mulheres cujos maridos são completamente estéreis. A doação é um ato de amor, porque não há envolvimento financeiro e a identidade do doador permanece anônima.

10. Como posso ser pai utilizando sêmen congelado?

Após a avaliação da amostra seminal descongelada, esta poderá ser utilizada em técnicas de reprodução assistida. São exemplos de reprodução humana assistida a Inseminação Intrauterina ou as técnicas de fertilização in vitro (bebê de proveta).

11. O uso de espermatozoides congelados e descongelados pode ocasionar algum problema ao bebê?

A utilização de espermatozoides congelados e descongelados não acarreta em nenhum tipo de má-formação do bebê ou problemas no parto. Ela também não oferece tipo algum de risco genético, pois todas as amostras são testadas previamente ao congelamento. Os teste servem para detectar doenças sexualmente transmissíveis. Caso o paciente seja portador, existe a possibilidade de testar o líquido seminal para HIV e Hepatite por metodologias de PCR.

Além disso, contamos com metodologias de dupla lavagem em caso de homens portadores de HIV, sem colocar em risco a parceira ou o futuro bebê.

 

Philip Wolff é professor e doutor em Ciências Biomédicas pela Universidade de São Paulo, diretor da Genics – Medicina Reprodutiva e Genômica e Diretor Técnico-científico do Laboratório Lavitta.

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