Cuidados após a Fertilização in Vitro (FIV)

Maos de homem e mulher sobre o ventre da grávida após a FIV

Existem diversos motivos que levam a mulher a procurar por um tratamento para a fertilização. Há desde uma dificuldade de engravidar naturalmente sem causa específica, como uma obstrução das trompas, até casos em que a mãe consegue engravidar, porém não mantém a gestação, tendo abortos espontâneos decorrentes de problemas no aparelho reprodutor, como uma endometriose, entre outros.

O que acontece é que além dos cuidados após a FIV, específicos, que devem ser seguidos após o tratamento, existem casos que as precauções ainda vão além, sendo direcionadas para o problema específico da gestante, para aumentar as chances de sucesso da gravidez. Seguir as orientações médicas é de extrema importância para ter uma gestação saudável.

Repouso. Afinal, é necessário ou não?

Após a fertilização do óvulo pelo espermatozoide, feita em laboratório pelo embriologista, o próximo passo é transferir o embrião para o útero da mulher. Em torno de 10 a 12 dias depois, o teste de gravidez pode ser feito, confirmando o sucesso do procedimento. A partir desse momento um assunto polêmico entra em ação: o repouso é mesmo necessário? A resposta é que não existem comprovações científicas de que a implantação do embrião no útero tenha relação com o repouso materno. Ou seja, ele não garante o sucesso da gestação.

Por outro lado, existem médicos que recomendam o repouso absoluto por dois dias (48h), mesmo que a ciência não tenha comprovado sua eficácia. Mas uma vez que se trata de uma vida a ser gerada, toda precaução nunca é demais. “Existe a possibilidade de o embrião se deslocar e não ser implantado no útero se a mulher fizer esforço excessivo, como atividades físicas ou mesmo carregar muito peso”, explica Luba.

Relações sexuais após a FIV. Pode ou não?

Cuidados após a FIV e óvulo fecundado
Após a FIV, o repouso ajuda a acalmar a ansiedade. Ele também ameniza algum desconforto que a paciente possa sentir na região do abdome e baixo ventre, causado pela estimulação ovariana e pelo processo do tratamento

As relações sexuais também devem ser evitadas neste período para que não haja contração uterina. É que as contrações poderiam atrapalhar o processo de implantação”, afirma o Dr. Ricardo Luba, ginecologista e especialista em reprodução humana, médico parceiro da Genics Medicina Reprodutiva.

Segundo o especialista, o repouso ajuda também a amenizar algum desconforto que a paciente possa estar sentindo na região do abdome e do baixo ventre, causado pela estimulação ovariana e pelo processo do tratamento. Além disso, acalmar a ansiedade enquanto o casal aguarda o resultado do teste de gravidez (exame Beta-HCG). Então é bom descansar e relaxar para ter um conforto psicológico.

Cuidados após a FIV: o pré-natal

A partir da confirmação da gravidez, aí sim a mãe deve seguir cuidados diferenciados, principalmente no primeiro trimestre da gestação, que é o mais delicado para todas as gestantes. Como todo processo de fertilização assistida é cansativo, gera expectativas e frustrações ao casal. Afinal, mais do que nunca, os futuros papais querem que tudo dê certo. Portanto, o pré-natal pode ser mais rigoroso. A mulher que engravidou pela FIV recebe, por exemplo, nos três primeiros meses, alguns hormônios que ajudam a manter a gestação.

Manter o controle da alimentação é essencial para ter uma gestação saudável. Uma alimentação equilibrada evita o ganho de peso excessivo, que pode acarretar problemas de saúde – como diabetes gestacional e hipertensão -,  e equilibra o organismo com o aporte necessário de nutrientes para a mãe e para o bebê.

“Em alguns casos, durante o primeiro trimestre da gravidez, pode ser que o médico recomende repouso. Isso acontece porque existem mulheres mais propensas a problemas que podem causar a perda do bebê, como um colo de útero curto ou fino”, explica o Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira, ginecologista da Genics.

Segundo o especialista, há também maiores chances de gestações múltiplas em tratamentos de FIV que requerem acompanhamento diferenciado para evitar um parto prematuro e outros problemas. Tirando os casos específicos, que terão a recomendação dada pelo obstetra sobre a rotina diária, a gravidez segue como qualquer outra normal, com o acompanhamento indispensável do pré-natal.

Posso ter uma vida sexual ativa na gestação?

“A vida sexual pode e deve continuar ativa no primeiro trimestre da gravidez, pois traz benefícios tanto ao casal como ao bebê. Porém deve ser evitada em casos especiais, de acordo com orientação médica”, esclarece o ginecologista da Genics.

O contato íntimo não machuca o bebê, como alguns pensam. O sexo durante esse período pode, inclusive, auxiliar a mulher na hora do parto natural, pois a prática exercita os músculos vaginais. Sem contar que ajuda a aliviar a tensão e a ansiedade, que é tão natural nessa fase.

De acordo com o Dr. Dirceu, existem algumas situações que podem limitar o contato íntimo, especialmente quando existe risco de aborto. E isso pode acontecer no primeiro trimestre ou mais pra frente. Não há regra! Por isso, é importante o acompanhamento médico em toda a gestação. Alguns dos problemas mais comuns que podem limitar a vida sexual do casal nessa fase são: deslocamento de placenta, sangramento vaginal sem causa aparente, dilatação do colo do útero, entre outros.

Além disso, no caso de existir alguma doença sexualmente transmissível, tanto no homem como na mulher, também pode ser recomendado evitar o contato íntimo ou até que o tratamento esteja concluído. Diante disso, o obstetra deve orientar a mulher sobre o risco de ter contato íntimo e quais os cuidados que deve ter, pois em algumas complicações, pode até mesmo ser necessário evitar a estimulação sexual, uma vez que esta pode provocar contrações uterinas.

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