Depressão na gravidez: o que fazer?

Mulher sentada com sintomas de depressão na gravidez

A gestação é um dos períodos mais felizes para a maioria das mulheres. Contraditoriamente, a estimativa da ocorrência de depressão na gravidez é de até 20% entre as gestantes. No entanto, na opinião do ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana assistida, Ricardo Luba, há subdiagnóstico dessa condição.

“Não existem políticas públicas para alertar sobre a doença. Em boa parte dos casos, as próprias pacientes têm vergonha de falar com o médico ou a família porque têm medo de eles acharem que é frescura”, explica Luba.

O médico completa: “Estima-se que boa parte dos casos de depressão pós-parto, na verdade, surge durante a gravidez. O dado de extrema relevância deveria ser avaliado durante a gestação. Mas como o diagnóstico é clínico, ele exige uma proximidade maior com a paciente, o que nem sempre acontece nos moldes de atendimentos atuais”, alerta o especialista.

Depressão na gravidez pode afetar a criança no futuro

Ainda não se sabe, ao certo, qual seria a alteração hormonal relacionada à depressão na gravidez e no pós-parto. Um estudo americano publicado na revista Depression and Ansiety, analisou pacientes de um hospital em Boston, EUA. Ele mostrou que a psicose puerperal pode afetar o desenvolvimento infantil, pois a ocorrência aumenta o risco de distúrbios psiquiátricos das crianças.

Isso mostra como é importante o diagnóstico e a introdução terapêutica precoce. Muitos estudos publicados nos últimos anos revelam que a depressão na gravidez e no pós-parto está relacionada a um problema posterior ao nascimento e ao vínculo com o filho. O resultado são inúmeras consequências para a mãe e o bebê.

Uma revisão sistemática da Cochrane, em 2013, tentou encontrar evidências para a prevenção da depressão na gravidez e no pós-parto relacionada a algum tipo de carência nutricional. Ela mostrou que não há relação algum tipo de dieta específica.

O que se sabe, no entanto, é que a gestação e o puerpério desencadeiam várias alterações hormonais, físicas e psíquicas, que podem, sim, refletir na saúde mental. Vale lembrar que o grau das alterações psicológicas vai depender de fatores sociais, culturais, familiares, orgânicos e da personalidade de cada mulher.

A gestante pode usar medicação para depressão?

Não existem evidências científicas de que as medicações antidepressivas não sejam teratogênicas, ou seja, que ocasionem risco de alterações no feto pelo uso. Mas existem alguns medicamentos nos quais o risco de teratogenia é menor, justificando o benefício em relação ao risco.

“Por causa do risco de desenvolvimento de psicose puerperal e outros distúrbios psiquiátricos graves, a medicação deve ser iniciada apenas em casos mais graves. Os mais leves demandam um tratamento multidisciplinar, que envolve psicoterapia e avaliação psiquiátrica”, explica Luba.

Veja também: A importância da psicologia perinatal e Saiba identificar uma gravidez psicológica

Consultoria, Dr. Ricardo Luba
www.ginecologialuba.com.br
@ginecologialuba
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