Gravidez tardia: entenda quais são os riscos!

Mulher com gravidez tardia, sentada no campo, com mãos na barriga.
Por Dr.  Ricardo Luba

A gravidez tardia é, por definição, a gestação após os 35 anos de idade. E, nas últimas décadas, esta incidência aumenta significativamente.

Um estudo inglês mostra que, em 2013, 20% dos nascimentos foram de mães com mais de 35 anos. Houve um aumento importante quando comparado aos dados de 1980, que mostraram 6% de incidência. A mesma taxa e período foram observadas em mulheres com mais de 40 anos – de 1% na década de 1980 para 6% em 2013.

O crescimento de gravidez após os 35 anos de idade ocorre porque as mulheres estão deixando para engravidar mais tarde. As razões são inúmeras, e as técnicas de reprodução humana assistida, felizmente, têm ajudado muito a melhorar os resultados.

Com base em relatos de pacientes, mulheres com mais de 35 anos de idade possuem mais maturidade para ter filhos. Elas também apresentam uma condição emocional mais favorável, além do lado financeiro.

Nessa idade, muitas mulheres conquistaram uma maior estabilidade econômica, o que ajuda bastante na criação de uma criança. No entanto, a escolha da gravidez tardia também traz riscos, por isso, é importante realçar algumas considerações para quem decide adiar a gestação.

8 Riscos de uma gravidez tardia

  1. Alterações no crescimento fetal, levando a uma condição conhecida como Restrição do Crescimento Intrauterino (RCIU). Acredita-se que, após os 35 anos, é mais comum a mulher ter alterações na função placentária. Como a placenta leva nutrientes da mãe para o feto, isso pode ocasionar o nascimento de crianças simetricamente menores.
  2. Aumento da ocorrência de pré-eclâmpsia (elevação dos níveis da pressão arterial em gestantes). A pré-eclâmpsia também é conhecida por Doença Hipertensiva Específica da Gravidez (DHEG). É a principal causa de mortalidade materna, sendo fundamental o diagnóstico e tratamento imediato, impedindo a evolução para formas graves, como a eclâmpsia ou síndrome HELLP.
  3. Aumento de parto prematuro. Não se sabe ao certo por que isso acontece, mas dados estatísticos de revisões multicêntricas revelam um aumento de partos prematuros. O aumento ocorre em mulheres com mais de 35 anos, principalmente após os 40 anos de idade. Hipóteses também levam a crer que isso seja causado por uma disfunção placentária.
  4. Descolamento prematuro de placenta. O descolamento é uma complicação obstétrica com fatores de risco, como a doença hipertensiva da gestação. A hipótese de causa também tem relação com uma disfunção placentária.
  5. Diabetes gestacional. O aumento do peso e a incapacidade do pâncreas em produzir a quantidade de insulina adequada é a causa dessa enfermidade. Sabe-se que a gestação é um período de hiperinsulinemia, o que causa sobrecarga ao pâncreas.
  6. Aumento da incidência de parto cesárea. Isso se deve ao aumento das complicações, como doença hipertensiva da gestação e diabetes gestacional, além de outras causas por disfunção placentária.
  7. Aumento dos índices de abortamento. Estudos revelam que isso acomete, principalmente, gestantes com mais e 40 anos de idade. A provável causa é o aumento da incidência de alterações cromossômicas nos embriões, levando a casos de abortamento.
  8. Aumento do risco de o bebê precisar de atendimento em unidade intensiva (UTI neonatal). Ainda não sabe-se por que, mas a incidência é maior em bebês que nascem de mães com idade entre 40 e 50 anos.

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Dr. Ricardo Luba é ginecologista e obstetra com ênfase em Reprodução Humana.
@ginecologialuba
www.ginecologialuba.com.br