Ovodoação: saiba tudo sobre o processo

A fertilização por meio da ovodoação surgiu na década de 1980 e significa uma gestação viabilizada a partir da doação de óvulos de outra mulher. Para que aconteça a fertilização de um embrião é necessário ter um óvulo e um espermatozoide. Acontece que nem sempre o paciente ou o casal tem os gametas para que o processo aconteça de forma natural.

Com o avanço da medicina e as modernas técnicas de reprodução humana, como a Fertilização In Vitro, a doação ajuda a realizar o sonho de ter um filho. É ideal para mulheres no climatério ou que, por algum motivo, tenham a reserva ovular diminuída. Também é uma alternativa para casais homoafetivos que desejam ser pais.

Quem pode se beneficiar da ovodoação?

Existem diversos casos de mulheres que podem se beneficiar da doação de gametas. A mulher nasce com uma quantidade de óvulos determinada para toda sua vida fértil. Com o passar dos anos, o estoque diminui até chegar à menopausa. Também há casos nos quais a menopausa chega precocemente à vida da mulher, com ela ainda jovem. O fato impede que a gravidez ocorra naturalmente.

Outros casos são pacientes com falência ovariana, ausência dos ovários e mulheres inférteis por alguma doença ou pelo uso contínuo de medicação específica. A exemplo das que passam por tratamentos oncológicos.

Essas mulheres não precisam abrir mão do sonho da maternidade, pois todas podem fazer uso da ovodoação para engravidar. Isso acontece porque elas não produzem mais seus próprios óvulos.
Esse recurso também favorece os casais homoafetivos, especialmente os homens. Durante o processo de ovodoação, um deles pode usar o espermatozoide para fecundar o óvulo doado, em um útero temporariamente “emprestado” por familiares com grau de parentesco consanguíneo descendente.

Como é feita a doação dos óvulos?

Ovodoação: mulher com bebê recém-nascido próximo ao seu rosto
Existe uma idade limite de 35 anos para quem deseja ser doadora.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estipulou diretrizes gerais para ovodoação. Uma delas é que o ato deve ser espontâneo, ou seja, sem caráter lucrativo ou comercial. Outra característica é relativa a o sigilo, pois as doadoras não devem conhecer a identidade das receptoras e vice-versa.

Assim, as doadoras são candidatas voluntarias com exames de saúde dentro da normalidade necessária. É importante lembrar que são feitos diversos exames para analisar se as doadoras estão aptas, como de DSTs – Doenças Sexualmente Transmissíveis e histórico de doenças genéticas. Existe também uma idade limite de 35 anos para a doação de gametas. Nesta idade, os óvulos das mulheres até essa idade ainda estão mais saudáveis, com chances menores de alterações nos cromossomos.

Como acontece a escolha da doadora?

A escolha das doadoras é de responsabilidade dos médicos. Normalmente, eles selecionam doadoras com as mesmas características físicas da receptora e o mesmo tipo sanguíneo.
O CFM também permite o que é chamado de “doação compartilhada”.

Neste tipo, a doadora é jovem, tem óvulos aptos a serem a fecundação, mas não pode engravidar naturalmente. Ela precisa fazer a Fertilização In Vitro. Como não tem condições de pagar pelo tratamento, a receptora arca com o tratamento da doadora. Em troca, a receptora recebe metade dos óvulos da doadora. Isso é feito com muito critério e transparência, para a troca ser justa para ambas.

Como é o processo de fertilização por meio da ovodoação?

O processo de ovodoação consiste em receber óvulos de uma doadora e fertilizá-los com os espermatozoides colhidos do sêmen do marido da paciente que deseja engravidar. O processo de fecundação é feito com a técnica de Fertilização In Vitro (FIV), totalmente realizado pelo embriologista no laboratório. Nesse caso, o especialista injeta um único espermatozoide diretamente no óvulo, quando este estiver maduro.

Depois, espera-se a formação e o desenvolvimento dos embriões para que possam ser transferidos para o útero da mulher. Então, dentro de 10 a 12 dias, a paciente já pode realizar o teste de gravidez e confirmar o sucesso do procedimento.

De acordo com as normas do CFM, o número máximo de embriões permitidos para serem transferidos é de quatro. No entanto, a quantidade pode ser menor de acordo com a idade da paciente. Até 35 anos, o máximo são dois embriões; entre 36 e 39 anos, até três embriões; e com 40 anos ou mais, até quatro embriões. Dessa forma, os embriões que forem fecundados de forma positiva, e não forem transferidos para o útero, podem ser congelados. Desde que por um período mínimo de três anos para uma gestação posterior.

Quais as chances de engravidar com a ovodoação?

Ovodoação: mulher grávida de pé e homem abraçado a sua barriga.
Caso uma paciente com mais de 40 anos receba óvulos de uma doadora jovem, as chances de engravidar aumentam até cinco vezes.

O processo de fertilização por ovodoação é feito pela técnica de Fertilização In Vitro, com bons índices de sucesso. Todo o processo é seguro e não oferece riscos nem para as doadoras nem para as receptoras.

O critério na escolha das doadoras, principalmente em relação à idade, aumenta a chance de gravidez a partir do processo de ovodoação. Isso acontece porque, aos 25 anos, existe uma possibilidade de 25% de a mulher engravidar naturalmente. Essas chances diminuem conforme a idade aumenta: aos 30 anos é de 22%; aos 35 anos, de 12%; aos 40, de 5%; e aos 45 anos, de apenas 1%.

Portanto, se uma paciente com mais de 40 anos receber óvulos de uma doadora jovem, as chances de engravidar aumentam até cinco vezes. Com isso, a taxa de gestação com óvulos doados é de 50 a 60%. Lembrando também que a gestação por meio de ovodoação com gametas mais jovens e saudáveis diminui o risco de o bebê nascer com Síndrome de Down. O mesmo se aplica a qualquer outra alteração genética, pois a incidência dessas ou outras anomalias é maior em mulheres com idade avançada.

Saiba mais: Inseminação e fertilização: qual é a diferença?