Programa Proteger: preservação da fertilidade para pacientes oncológicos

Autores: Prof. Dr. Philip Wolff e Prof. Dr. Mario Cavagna

Estudos revelam que, cada vez mais, aumenta o número de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 40 anos de idade. Por essa razão, é importante acompanhar as possibilidades existentes para preservar a fertilidade antes de iniciar o tratamento oncológico.  Uma das opções é o Programa Proteger, uma parceria da indústria farmacêutica com clínicas de reprodução humana, que tem o propósito de subsidiar parte do custo do congelamento de óvulos e sêmen para quem deseja ter filhos após a cura do câncer.

“O acesso ao programa é simples e todo o processo dura até 15 dias. Toda a medicação chega gratuitamente na casa do paciente e a clínica de reprodução também oferece preços especiais para o tratamento”, explicar Philip Wolf, professor e doutor em Ciências Biomédicas e sócio-fundador da Genics Medicina Reprodutiva e Genômica.

Preservação da fertilidade é opção

De acordo com pesquisas, após o tratamento oncológico, a fertilidade é comprometida em cerca de 90% dos casos. Vale lembrar que esse dano pode ser permanente ou temporário. Tudo vai depender das doses e tipos de cada tratamento, dos órgãos comprometidos, do tipo de câncer e, claro, da reação de cada organismo.

Mesmo em pacientes jovens, que ainda não estejam em idade reprodutiva, é possível preservar a fertilidade antes de iniciar o tratamento de câncer.

O coordenador do Comitê Nacional de Oncofertilidade da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Dr. Mario Gavagna, explica que a oncofertilidade é um ramo novo da medicina reprodutiva, que visa preservar o potencial reprodutivo de pacientes com câncer e que serão submetidos a um tipo de tratamento que, eventualmente, pode danificar seu potencial reprodutivo. “No caso das mulheres, tratamentos mais agressivos, como quimioterapia ou radioterapia, podem, eventualmente, danificar a função ovariana ou levar a prejuízos na produção dos oócitos. Sendo assim, espera-se que o profissional oriente as pacientes, oferecendo uma opção para que possam engravidar após o tratamento oncológico”, afirma o especialista.

O homem com câncer também tem de se preocupar, pois o tratamento pode promover uma lesão à função testicular. No entanto, para o homem, é mais simples. Basta uma ou duas coletas de sêmen – antes de iniciar o tratamento oncológico – para ele poder ter os espermatozoides criopreservados, que poderão ser utilizados depois do tratamento oncológico, caso seja necessário.

É bom saber!

As células germinativas, presentes nos ovários e testículos, são responsáveis pela fertilidade feminina e masculina. Por isso, quando se faz necessário o uso de tratamentos para a cura do câncer, como quimioterapia e /ou radioterapia – independentemente da radiação ou dose utilizadas – essas células são agredidas e, consequentemente, a função ovariana ou testicular sofre sérios danos.
Na verdade, os tratamentos quimioterápicos e radioterápicos atingem os folículos primordiais e podem causar a infertilidade nas pacientes.

Da mesma forma, esses tratamentos ocasionam a morte das células testiculares responsáveis pela espermatogênese e, assim, causam a infertilidade masculina.

Dr. Philip Wolff, de jaleco e braços cruzados, especialista em inseminação artificial.Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e sócio-fundador da Genics Medicina Reprodutiva e Genômica.
Biotecnologia, Andrologia, Embriologia e Criopreservação
Diretor e responsável legal da Genics Medicina Reprodutiva e Genômica e responsável técnico pelos laboratórios de Andrologia, Embriologia e Criopreservação da Genics. Especialista em Biotecnologia pelo Instituto Butantan, mestre em Bioquímica e Biologia Molecular – IQ-USP e Doutor em Ciências Biomédicas – ICB-USP. CRBio 18942/01
Instagram: @phwolff
Linkedin: philip-wolff
Dr. Mario Cavagna, Ginecologista, Obstetra e Especialista em Reprodução Humana
Doutor em Medicina pela FMUSP. Doutor em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Cagliari, na Itália. Professor Livre Docente de Ginecologia e Fisiopatologia da Reprodução pela Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. Diretor da Divisão de Reprodução Humana do Hospital Pérola Byington. Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, no biênio 2015-2016. Pró-secretário da Asociaçón Latino Americana de Medicina Reproductiva – ALMER – biênio 2015-2016. CRM 44792.
Instagram: @dr.mariocavagna

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