Síndrome do Ovário Policístico e as chances de engravidar

Cerca de 5% a 10% das mulheres em idade fértil sofrem da Síndrome do Ovário Policístico (SOP). A conclusão é de estudo da revista científica americana Paediatrics Child Health (Saúde Pediátrica da Criança) divulgado em março deste ano.

Desde a primeira menstruação até a menopausa, a mulher pode ser afetada pela SOP, tendo, inclusive, a fertilidade comprometida. Essa doença endocrinológica é um distúrbio hormonal causado pela alta produção de testosterona, que provoca a formação de cistos nos ovários. “A paciente com SOP tem ovulação espaçada causada pela alteração no ciclo menstrual, por isso, apresenta menor chance de gestação”. Quem explica é o Dr. Dani Ejzenberg, ginecologista, especialista em reprodução humana e médico parceiro da Genics Medicina Reprodutiva.

De acordo com o profissional, os níveis elevados de testosterona também levam à resistência insulínica. Esta, por sua vez, contribui para o ganho de peso e a obesidade. Outras doenças também estão relacionadas à Síndrome do Ovário Policístico, como colesterol alto, diabetes e complicações cardiovasculares. Sem tratamento, a paciente pode sofrer, ainda, abortos espontâneos e até câncer de endométrio.

Síndrome do ovário policístico (SOP) x Cistos nos ovários

Ficar atento aos sintomas da doença é fundamental para chegar ao diagnóstico. Os principais são:

  • Irregularidade no ciclo menstrual.
  • Acne.
  • Aumento de pelos em áreas habitualmente sem (ao redor dos mamilos e nas costas, por exemplo).
  • Ganho de peso, e
  • dificuldade de engravidar ou aborto de repetição.

Dr. Dani Ejzenberg ressalta que cistos nos ovários nem sempre são sinais da SOP. “Se a mulher não apresentar outros sintomas da doença e for detectado um cisto em exame de ultrassom, este pode ser considerado um cisto normal do ciclo menstrual.”

Tratamento para a fertilidade

O tratamento da SOP é amplo e consiste em controlar as manifestações clínicas da doença, além de prevenir complicações. “Ele pode envolver medidas gerais, como perda de peso e reeducação alimentar. Também é indicado o uso de hormônios para regularizar o ciclo menstrual e diminuir a acne e os pelos. Em muitas pacientes, só a perda de peso já regulariza a menstruação. Caso haja resistência à ação da insulina, é indicada uma medicação específica. Esta serve para regularizar o ciclo menstrual e ajudar na perder peso”, explica o médico.

Se a mulher tem Síndrome do Ovário Policístico e pretende engravidar, a estimulação ovariana, realizada em clínicas de reprodução humana, é a melhor indicação. Nesse caso, a ovulação é afetada pela irregularidade da menstruação. “Mas ao estimular a ovulação, há 50% de chance de gravidez em até seis meses, caso a SOP seja a única causa de infertilidade na paciente”, relata Ejzenberg.

Ainda assim, se a estimulação ovariana não resultar em gravidez natural, a paciente pode ser encaminhada para tratamentos mais complexos, como a Fertilização In Vitro (FIV) e a Inseminação Artificial (IA). O método de reprodução assistida mais apropriado será definido pelo especialista, de acordo com o estado clínico da paciente.

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