Suspensão da menstruação pode preservar a fertilidade

Suspensão da menstruação. Rosto de mulher no campo, sopando uma flor

Um novo tratamento para prevenção de doenças que podem afetar o sistema reprodutor feminino e que,  consequentemente, podem causar infertilidade, como a endometriose, vem sendo aplicado em adolescentes e jovens. Trata-se da diminuição ou até a suspensão da menstruação. “A endometriose é uma doença ligada ao fenômeno menstrual. Então, quanto mais cedo a mulher se expõe à menstruação, maior a chance de adquirir a endometriose”, explica o Dr. Eliano Pellini, ginecologista e especialista em climatério e sexualidade humana, da Genics Medicina Reprodutiva.

Problemas causados pela menstruação

A endometriose atinge cerca de seis milhões de mulheres no Brasil e 200 milhões no mundo todo, de acordo com dados da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE). Segundo o médico da Genics Medicina Reprodutiva, com a vida moderna, as mulheres estão optando por engravidar mais tarde. Por isso, está cada vez mais comum as gestações acontecerem depois dos 35 anos.

Porém, até chegar o momento da maternidade, a mulher menstrua todo mês, por um longo período. Com isso, as chances de adquirir doenças decorrentes do fluxo menstrual aumentam. Não é de hoje que alguns especialistas, como o cientista, professor e médico Dr. Elsimar Coutinho, discute o assunto. Ele ficou conhecido por suas ideias polêmicas em relação à menstruação. Há oito anos, lançou o livro Menstruação, a Sangria Inútil (Ed. Gente). Lançado nos Estados Unidos com o título Is Menstruation Obsolete? (A menstruação é obsoleta?), seus textos agora vêm gerando debates em todo o mundo.

Tanto que a prestigiada revista britânica New Scientist dedicou, em março de 2016, quatro páginas para discutir se, de fato, faz algum sentido para as mulheres continuar menstruando – ainda mais quando se sabe que diversas doenças reprodutivas, como o câncer de útero, estão ligadas diretamente ao número de vezes que uma mulher menstruou durante a vida. “Se a mulher tem uma previsão de engravidar somente depois dos 35 anos, não tem por que menstruar todo mês e correr o risco de ficar infértil”, afirma o Dr. Eliano. O médico explica ainda que, através da conversa com o ginecologista, a jovem pode sinalizar o desejo de uma maternidade tardia. Com isso, o tratamento é aconselhado. “As meninas da chamada Geração Z (nascidas entre 1990 e 2010) têm um empoderamento que as permite escolher como e quando menstruar. “E essa realidade já está acontecendo e vai se revelar como uma tendência”, afirma o especialista.

Entenda como ocorre a suspensão da menstruação

O controle da menstruação é feito com o uso de anticoncepcionais especiais que, além de terem baixas doses
hormonais, são altamente qualificados para a juventude, até mesmo com benefícios estéticos. “As pílulas que auxiliam no controle da menstruação têm propriedades que tornam os cabelos e a pele mais saudáveis”, diz o médico.

A endometriose e a infertilidade

A endometriose é uma doença associada à infertilidade, mas não há como garantir se ela irá ou não deixar a mulher infértil. “O que se sabe é que há um grande número de mulheres com endometriose que são inférteis – cerca de 40% de acordo com a SBE. “A doença pode apenas dificultar a gestação e não a impedir, pois causa alterações hormonais e imunológicas. Existem mulheres que engravidam naturalmente, mesmo com a endometriose, porém podem sofrer abortos espontâneos”, afirma o ginecologista.

O fato de a endometriose ter um diagnóstico tardio, pois as mulheres acham que as cólicas e dores são normais do período da menstruação e não costumam procurar ajuda médica, é um dos grandes problemas que retarda o tratamento da doença. “É preciso observar a menina desde sua primeira menstruação e verificar se ela vem associada a cólicas, dores muito fortes, grande quantidade de fluxo menstrual, irregularidades do fluxo ou muita tensão pré-menstrual. Nesses casos, bloquear ou garantir menos ciclos anuais significa prevenir uma futura endometriose”, alerta o ginecologista. De acordo com o Dr. Eliano Pellini, pacientes que já foram diagnosticadas com endometriose podem bloquear ou controlar a menstruação. Com o  uso contínuo de contraceptivos hormonais, por via oral, injetável ou pela utilização do DIU (dispositivo intrauterino).

Cada caso deve ser avaliado de forma personalizada

Mas vale lembrar que cada caso deve ser analisado isoladamente. Por isso, é necessária uma criteriosa avaliação clínica. Isso, para ter certeza se a paciente não apresenta nenhum fator de risco que poderia piorar com o uso de hormônios. Ou seja, só o médico pode indicar o hormônio certo para cada paciente.

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