Temperatura corporal afeta fertilidade masculina e feminina

temperatura corporal de casal de tentantes deitado na grama

Pesquisadores franceses alertaram que trabalhadores expostos ao calor, como motoristas e metalúrgicos, devem ter cuidado. Essas profissões podem reduzir a fertilidade, uma vez que os testículos parecem produzir esperma com mais facilidade quando a temperatura corporal é razoavelmente mais baixa.

Esses dados aparecem em um estudo do Hospital Bicetre, em Paris, França. Nele, mulheres de profissionais submetetidos durante muitas horas por dia a altas temperaturas têm mais dificuldade para engravidar.

Estudo com motoristas e metalúrgicos

No estudo, os cientistas entrevistaram 552 mães que tiveram seus bebês em sete hospitais parisienses. Aquelas com maridos que se submetiam a temperaturas mais altas em seus empregos tiveram mais dificuldade para engravidar do que as demais.

O mesmo resultado foi verificado em outra pesquisa publicada na revista médica britânica The Lancet. Nessa pesquisa, as companheiras de homens cujos empregos os expunham a altas temperaturas levaram, em média, dez meses para engravidar. Enquanto o tempo médio para um casal conceber um filho é de cerca de três meses.

“A temperatura é algo muito importante para preservar a fertilidade masculina. Os testículos nascem dentro da barriga dos meninos. Depois, até o primeiro ano, eles devem descer para a bolsa escrotal, uma estrutura termorregular. Se até o primeiro ano eles não descerem, ou seja, não se desenvolverem dentro da bolsa escrotal, a criança pode desenvolver um problema chamado criptorquia. Os testículos não descem por conta de uma anomalia no abdômen inferior, sendo necessário recorrer à cirurgia. Os testículos precisam ficar na bolsa escrotal porque, para produzir espermatozoides na vida adulta, devem estar a uma temperatura inferior a 37°. Ou seja, um pouco mais baixa que a no interior do corpo”, esclarece o Dr. Eliano Pellini, ginecologista e especialista em climatério e sexualidade humana, da Genics Medicina Reprodutiva.

Temperatura corporal e a fertilidade feminina 

Nas mulheres, os ovários ficam dentro do abdômen. Para que haja um bom funcionamento, eles precisam estar na temperatura do corpo, podendo variar de 37° a 37,3°. “Na mulher, a temperatura é um poderoso indicativo da fertilidade. Não é de hoje que se usa o método da temperatura basal para saber se ela está no período fértil”, afirma o especialista.

Quando a mulher inicia o ciclo menstrual, a temperatura basal é mais baixa do que o habitual, dando-se início à ovulação. Cerca de três dias depois da ovulação há o aumento do nível de progesterona, responsável pelo aumento da temperatura corporal.

De acordo com o Dr. Eliano, no dia da ovolução, a temperatura cai quase 1°. “Nos tratamentos de reprodução humana é muito comum usar a temperatura basal como método de monitoramento da ovulação. E é muito interessante a explicação da variação da temperatura. Assim como acontece no reino animal, em que a fêmea também tem a temperatura reduzida no período de ovulação ou no momento em que entra no cio, a mulher tem mais interesse de ser “aquecida” pelo parceiro nessa fase, afirma o médico da Genics Medicina Reprodutiva.

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