Av. Indianópolis, 171 · São Paulo/SP Seg. a sex. 7h–18h · Sáb. 8h–12h
Genics
Criopreservação

Planejamento familiar: como funciona o congelamento de óvulos passo a passo?

04 de novembro de 2026
Planejamento familiar: como funciona o congelamento de óvulos passo a passo?

O avanço da medicina reprodutiva revolucionou a forma como as mulheres lidam com a vida profissional, pessoal e o desejo de ter filhos. Se antes, era preciso “correr” para se adaptar ao relógio biológico, hoje em dia, o congelamento de óvulos surge como alternativa para conciliar carreira e o sonho da maternidade. Mas ainda há muitas dúvidas sobre como funciona o congelamento de óvulos passo a passo.

Entenda detalhadamente como essa técnica funciona, quando ela é indicada e qual é o passo a passo completo do tratamento.

Por que a idade é decisiva na fertilidade feminina?

Diferente dos homens, que produzem espermatozoides continuamente ao longo da vida, a mulher já nasce com um estoque finito de óvulos, chamado de reserva ovariana. Conforme os anos passam, ocorrem duas transformações inevitáveis: a redução da reserva, que cai progressivamente e com perda acelerada a partir dos 35 anos.

Além disso, com o envelhecimento celular, aumenta a taxa de alterações cromossômicas nos óvulos, o que diminui as chances de gravidez natural e eleva o risco de abortamento espontâneo. Ao congelar óvulos, a qualidade biológica das células fica "parada no tempo". Isso significa que uma mulher que congela óvulos aos 32 anos e decide utilizá-los aos 40 terá taxas de sucesso no tratamento de reprodução assistida equivalentes às de uma mulher de 32 anos.

Quando e para quem o congelamento de óvulos é indicado?

A indicação da criopreservação varia de acordo com os objetivos e a saúde de cada mulher:

  1. Adiamento social da maternidade: mulheres que desejam priorizar a vida profissional, estudos, independência financeira ou que ainda não encontraram o parceiro ideal.
  2. Motivos médicos (oncofertilidade): pacientes diagnosticadas com câncer que passarão por quimioterapia ou radioterapia (tratamentos tóxicos para os ovários).
  3. Histórico familiar de menopausa precoce: mulheres com histórico familiar de falência ovariana prematura ou com diagnóstico de baixa reserva em exames preventivos.
  4. Cirurgias ovarianas: mulheres que precisam operar cistos complexos ou endometriose profunda nos ovários, procedimentos que podem reduzir o tecido ovariano saudável.

Um ponto importante é que, embora o procedimento possa ser feito em diferentes fases, o cenário ideal é congelar os óvulos antes dos 35 anos, momento em que a reserva e a qualidade ovocitária ainda apresentam índices elevados.

Passo a passo do congelamento de óvulos

O processo completo dura cerca de 10 a 14 dias, contados a partir do início do ciclo menstrual. Tudo é dividido em etapas estruturadas:

1. Avaliação inicial e exames de pré-tratamento

Antes de iniciar qualquer medicação, o médico especialista realiza um mapeamento completo da saúde reprodutiva na consulta de planejamento. São solicitados exames de sangue (com destaque para o Hormônio Anti-Mülleriano – AMH, que mede a reserva ovariana), ultrassonografia transvaginal para contagem de folículos antrais e exames sorológicos preventivos.

2. Estimulação ovariana controlada

Dura cerca de nove a doze dias. Em um ciclo natural, o corpo desenvolve apenas um óvulo. Para otimizar o procedimento, a mulher utiliza medicações hormonais diárias (aplicações subcutâneas, geralmente fáceis e indolores) que estimulam o crescimento simultâneo de múltiplos folículos.

3. Monitoramento ultrassonográfico

Durante o período de estimulação, a paciente realiza de três a quatro ultrassografias transvaginais. O objetivo é acompanhar o diâmetro dos folículos e ajustar as doses hormonais com segurança, evitando complicações como a Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO).

4. Indução da maturação final

É o momento decisivo antes da coleta. Quando os folículos atingem o tamanho ideal (geralmente acima de 17-18 mm), a paciente aplica uma última medicação hormonal, conhecida como trigger. Ela agenda exatamente o amadurecimento final dos óvulos para a coleta, que ocorre cerca de 34 a 36 horas depois.

5. Aspiração folicular (coleta dos óvulos)

Procedimento rápido sob sedação leve. A coleta é feita por via transvaginal guiada por ultrassom, na própria clínica. O procedimento dura cerca de quinze a vinte minutos sob sedação leve, portanto, indolor. Uma fina agulha aspira o líquido dos folículos, onde estão os óvulos. A recuperação é rápida e a alta acontece em poucas horas.

6. Vitrificação no laboratório

No laboratório de embriologia, os óvulos coletados são identificados e avaliados quanto à maturidade. Os óvulos maduros passam pelo processo de vitrificação: um congelamento ultra-rápido em nitrogênio líquido a -196 °C, que impede a formação de cristais de gelo e preserva a estrutura celular de forma intacta por anos.

O que acontece quando você decide usar os óvulos?

Os óvulos vitrificados podem permanecer armazenados por tempo indeterminado sem perder a qualidade. Quando você decidir que é o momento de engravidar, os óvulos são descongelados e fertilizados com o sêmen do parceiro ou de um doador por meio da Fertilização in Vitro com ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide).

O endométrio da mulher é preparado com hormônios na chamada transferência embrionária. Os embriões resultantes são cultivados por alguns dias até o estágio de blastocisto.

O congelamento de óvulos não é apenas um procedimento médico, mas um verdadeiro investimento em tranquilidade e liberdade de escolha. Maternidade no seu tempo, com o suporte e a tecnologia que a medicina reprodutiva moderna oferece.

Agende uma avaliação da sua reserva ovariana com os nossos especialistas e tire todas as suas dúvidas sobre o protocolo de congelamento de óvulos.

FAQ/Perguntas frequentes: como funciona o congelamento de óvulos passo a passo?

1. Como funciona o processo de congelamento de óvulos passo a passo?

O tratamento é dividido em cinco etapas principais:

  1. Avaliação inicial e exames: realização de ultrassonografia transvaginal e exames de sangue (como a dosagem do Hormônio Antimülleriano – AMH) para medir a reserva ovariana e planejar o protocolo de medicação.
  2. Estimulação ovariana: uso de injeções diárias subcutâneas de hormônios para estimular o crescimento simultâneo de múltiplos folículos ovarianos.
  3. Indução da maturação final: Aplicação de uma medicação específica (conhecida como "injeção gatilho") cerca de 36 horas antes da coleta para finalizar o amadurecimento dos óvulos.
  4. Coleta (punção folicular): procedimento cirúrgico simples guiado por ultrassom transvaginal sob sedação leve, durando de quinze a vinte minutos. O médico aspira o líquido dos folículos onde estão os óvulos.
  5. Vitrificação e armazenamento: no laboratório, o embriologista identifica os óvulos maduros e realiza a vitrificação (congelamento ultrarrápido a -196 °C em nitrogênio líquido), evitando a formação de cristais de gelo que possam danificar a célula.

2. Qual é a melhor idade para congelar os óvulos?

O ideal é realizar o procedimento antes dos 35 anos, período em que a mulher apresenta uma maior quantidade e qualidade genética dos gametas. O congelamento pode ser feito em idades mais avançadas (até cerca de 40 anos), mas a taxa de sucesso por ciclo diminui devido à redução natural da reserva ovariana.

3. Quanto tempo leva todo o processo, do início ao fim?

A etapa ativa do congelamento leva cerca de 10 a 14 dias, contados a partir do início do ciclo menstrual (fase de estimulação até a coleta). Considerando a consulta inicial, a realização de exames preparatórios e o alinhamento com a equipe médica, o planejamento completo costuma levar entre 1 e 2 meses.

4. A coleta dos óvulos dói ou traz efeitos colaterais?

Durante o procedimento de coleta a paciente não sente dor, pois estará sob sedação endovenosa. Nos dias subsequentes à punção, é normal sentir desconforto pélvico leve, inchaço abdominal ou cólicas semelhantes às do período menstrual.

5. Quantos óvulos é preciso congelar para ter boas chances de gravidez?

A recomendação geral é armazenar de 10 a 20 óvulos maduros por tentativa futura. A quantidade ideal varia conforme a idade no momento da coleta: quanto mais jovem a mulher for ao congelar, menor a quantidade de óvulos necessária para atingir uma boa probabilidade de gestação.

6. Quanto tempo os óvulos podem permanecer congelados?

Os óvulos podem ficar armazenados por tempo indeterminado. A técnica de vitrificação paralisa a atividade celular mantendo a integridade do óvulo, de forma que o tempo de congelamento não interfere em sua qualidade nem na taxa de sobrevivência ao descongelamento (que gira em torno de 90%).

7. O congelamento de óvulos garante uma gestação no futuro?

Não. O procedimento preserva o potencial reprodutivo e melhora o prognóstico, mas não garante a gestação. As chances de gravidez dependem de fatores como a idade em que os óvulos foram congelados, a quantidade armazenada e a qualidade dos espermatozoides utilizados no processo posterior de Fertilização in Vitro (FIV).

8. Quanto custa congelar e manter óvulos no Brasil?

O valor médio do processo engloba três custos principais:

  • Procedimento médico e laboratorial (coleta e vitrificação): entre R$ 10.000 e R$ 15.000
  • Medicamentos hormonais de estimulação: entre R$ 5.000 e R$ 10.000 (variando de acordo com a dosagem necessária)
  • Taxa de manutenção (armazenamento anual): entre R$ 1.000 e R$ 2.000 por ano
Entrar em contato