Aborto de repetição: como podemos ajudar?

Aborto de repetição: duas mãos segurando um feto dentro do útero,
Autor: Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira

“Quando acontecem duas ou mais perdas gestacionais consecutivas, antes da 20ª semana da gestação, a mulher pode ser diagnosticada pelo que é chamado de aborto de repetição (AR). Essa complicação obstétrica acomete entre 2% e 4% das gestações e traz frustrações recorrentes que abalam também o psicológico das famílias”, explica Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira, ginecologista e obstetra da Genics Medicina Reprodutiva.

Uma perda gestacional é muito triste, e, infelizmente, muitos casais acabam passando por essa situação. De acordo com o especialista, estima-se que de 15 a 20% das mulheres no mundo já passaram por um aborto espontâneo.

Os abortos são mais frequentes em mulheres acima de 35 anos, pois nessa faixa etária aumentam as chances de malformações e anomalias genéticas. Segundo o médico, elas são responsáveis pela maior parte dos casos de AR.

“Porém, anomalias uterinas, trombofilias, desordens endócrinas, metabólicas e autoimunes também podem ser responsáveis em não deixar a gestação seguir adiante”, relata o ginecologista e obstetra.

Como podemos ajudar no aborto de repetição

Pacientes que sofrem aborto de repetição precisam de um acompanhamento especializado. Uma clínica de reprodução humana pode oferecer exames e tratamentos avançados para ajudar tanto no diagnóstico, como na conquista de uma gestação segura e saudável. Alguns testes genéticos que podem ajudar a explicar as causas dos abortos, principalmente os que têm como fundo as anomalias e malformações do feto.

“Nem sempre a ultrassonografia é o suficiente para detectar algum problema. Algumas outras intervenções podem ser indicadas, como biópsia de vilocorial (BVC) e amniocentese. A idade materna também interfere na escolha de quais testes pré-natais devem ser feitos, sendo que as mulheres com mais de 35 anos são candidatas a tais procedimentos”, alerta o ginecologista.

Avaliação do DNA fetal e os testes genéticos pré-implantacionais

Hoje já é possível fazer uma avaliação do DNA fetal e os chamados testes genéticos pré-implantacionais (PGS), para identificar os embriões bons para a transferência uterina, aumentando as chances de uma gravidez saudável.

O avanço das tecnologias ligadas à medicina fetal permite hoje que seja feito uma avaliação do DNA fetal e os chamados testes genéticos pré-implantacionais (PGS), que podem ser feitos nos casos de Fertilização In Vitro (FIV).

“Antes de implantar o embrião no útero materno, sua composição genética é avaliada para identificar os embriões bons para a transferência uterina, aumentando, assim, as chances de uma gravidez saudável e evitando o risco de o bebê ter malformação”, diz o médico.

Principais causas de Abortos de Repetição (AR)

Além das más formações e anomalias genéticas, há casos de anomalias uterinas, que podem ser desde um mioma a um processo inflamatório ou malformação do útero, que impedem que o embrião se fixe, causando abortos de repetição.

“Entre as mulheres que sofrem de AR, 16,4% possuem alguma dessas anomalias. É preciso que sejam feitos diversos exames, como pélvico, histerossalpingografia, laparoscopia, ultrassonografia transabdominal ou transvaginal (de preferência tridimensional), ressonância nuclear magnética e histeroscopia, para que seja constatado esse problema e indicado o tratamento”, explica o Dr. Dirceu. Nos casos dessas anomalias uterinas congênitas, o ginecologista da Genics indica uma correção cirúrgica.

Alterações endocrinológicas podem causar aborto de repetição?

Alterações endocrinológicas também causam AR. “Vários hormônios, como o estradiol e a progesterona, atuam na regulação de inúmeros fatores. Eles propiciam o ambiente intrauterino favorável à implantação do embrião. Sendo assim, desequilíbrios hormonais podem causar os abortos de repetição”, afirma o especialista.

Tratamentos hormonais e mudança nos hábitos de vida fazem parte do tratamento. “Sabemos, por exemplo, que um índice de massa corporal (IMC) maior que 30 kg/m2 aumenta a chance de aborto em 20% e triplica o risco de desenvolver AR”, alerta o médico.

Outro diagnóstico comum em quem sofre aborto de repetição é a trombofilia. “Ela causa coagulação do sangue e entope os vasos placentários, causando isquemia e trombose, o que pode levar ao descolamento da placenta antes da hora, provocando o aborto ou a obstrução do sangue. Neste caso, afeta o desenvolvimento do bebê, podendo, inclusive, levá-lo a óbito”, explica o ginecologista e obstetra da Genics Medicina Reprodutiva.

Médico de jaleco fala sobre aconselhamento genéticoConsultoria: Dr. Dirceu Henrique Mendes Pereira, Reprodução Humana, Medicina Funcional Personalizada e Ginecologia e Obstetrícia. Médico ginecologista formado pela UNIFESP, Mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela FMUSP e Doutorado em Ginecologia e Obstetrícia pela FMUSP. CRM13834.

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