Congelamento de óvulos: para quem é indicado?

Mulher deitada sobre a grama com blusa levantada e barriga exposta

A partir dos 30 anos, a reserva ovariana começa a diminuir, reduzindo as chances de gravidez. Isso acontece porque o óvulo acompanha o processo de envelhecimento da mulher. Consequentemente, as chances de perdas gestacionais, de falhas de implantação e nascimentos de bebês com síndromes genéticas também crescem. Por isso, alguns exames ginecológicos, que investigam a reserva ovariana e outros hormônios, devem ser solicitados a pacientes acima de 30 anos. A recomendação vale também para aquelas que ainda não manifestem o desejo de ter filhos.

Reserva ovariana

“O ideal seria que as mulheres avaliassem a reserva ovariana como rotina ginecológica, por volta dessa idade. Aos 30 anos muitas delas já terão o estoque de óvulos menor do que o esperado para a idade. Ou seja, com 32 anos é possível ter a quantidade de óvulos de uma mulher de 38 anos, por exemplo”, aconselha Dr. Rodrigo Rosa. Ele é médico especializado em ginecologia, obstetrícia e reprodução humana, além de autor de livros sobre o tema. Exemplos: “Ginecologia e Obstetrícia – Casos Clínicos”, lançado em 2013. Ele também é co-autor do “Atlas de Reprodução Humana”, da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana.

E como descobrir qual é a reserva ovariana? “A única maneira é por meio de exames específicos, como o ultrassom transvaginal para contagem de folículos antrais e a avaliação do hormônio anti-mulleriano. Infelizmente, esses exames normalmente só são solicitados se a mulher manifesta a vontade de ser mãe”, atesta Dr. Rodrigo.

Medida de prevenção

Congelamento de óvulos: médica com touca olha em micróscopio
A realização de exames relativos à fertilidade da mulher é fundamental para avaliar a questão da reserva ovariana e as chances de engravidar em cada idade.

Para o especialista, deixar para avaliar a fertilidade depois pode ser muito tarde. “Esses dois exames deveriam ser incorporados aos pedidos dos ginecologistas gerais, que costumam se preocupar mais com as doenças ligadas à parte ginecológica, como mioma, HPV, câncer, tumor de ovário e nódulos na mama. Já a preocupação com a fertilidade da mulher são deixadas de lado. Falta orientação às pacientes sobre a questão da reserva ovariana e as chances de engravidar em cada idade”, alerta Rosa.

Segundo o ginecologista, a medida preventiva ajudaria muitas mulheres a realizar seu sonho e evitaria surpresas desagradáveis. Sabe-se, hoje, que as chances de gravidez dependem muito da idade feminina. “Quanto mais jovem ela for, maior será a chance de gestação. Porém, acontece uma queda progressiva na taxa de gravidez a partir dos 35 anos e, depois, ela se torna mais abrupta ainda”, esclarece o profissional.

A chance de engravidar, em relação ao número de tentativas por mês, é de 20% aos 25 anos. A taxa cai para 15% aos 35 anos e, depois, a queda é relativamente baixa ao longo de dez anos, embora abrupta. Para se ter uma ideia, aos 40 anos, a chance cai para apenas 5%, e, aos 43 anos, para 2%. “O estoque de óvulos reduz ao longo do tempo e, além de perder em quantidade, tem a qualidade comprometida”, explica Rosa.

Congelamento de óvulos: alternativa segura

Óvulo da mulher sendo preparado para o congelamento de óvulo.
Quanto mais jovem a mulher congelar seus óvulos maior será a chance de gravidez no futuro.

O congelamento de óvulos é uma segurança para quem tem mais de 30 anos, mas não sabe se quer ser mãe. “Essa opção deveria ser oferecida a todas as mulheres entre 30 e 35 anos que desejam postergar a gravidez por questões profissionais ou pela falta do parceiro ideal. Pois quanto mais jovem ela fizer a preservação da fertilidade (congelamento de óvulos) maior a chance de engravidar no futuro.

Segundo o Dr. Rodrigo Rosa, quanto mais jovem a mulher congelar seus óvulos maior será a chance de gravidez no futuro. Vale lembrar que o congelamento de óvulos não é uma garantia de fertilidade nem de sucesso de gravidez. Na verdade, é uma tentativa de postergar a maternidade para idades acima dos 40 anos.

“Nenhum método contraceptivo ‘segura’ essa perda progressiva de óvulos. O anticoncepcional faz a mulher não liberar o óvulo, mas a perda de folículos e a diminuição desse estoque de óvulos são contínuas. Isso acontece independentemente de ela usar anticoncepcional ou não, ou ainda se menstrua ou não. Então, muitas mulheres acreditam que usar pílula contínua ou implantes, e não menstruarem, leva a poupar os óvulos. Isso não é verdade”.

O que considerar na hora do congelamento?

Mas não é só a quantidade de estoque ovariano que deve ser avaliada ao optar pelo congelamento. A qualidade do óvulo também é comprometida com o passar do tempo, aumentando consideravelmente o risco de aborto. “De todas as mulheres que engravidam aos 30 anos, cerca de 15% têm aborto espontâneo. Aos 35 anos esse índice sobe para 20%; aos 40 anos, cerca de 40% das mulheres que engravidam espontaneamente têm uma perda gestacional. Já aos 42 anos esse índice atinge 50% das mulheres”, relata o médico.

É válido considerar também que 35 anos é uma média, porque existem mulheres com reserva ovariana diminuída. Nesse caso, é possível ter uma falência ovariana muito antes dos 40 anos. Portanto, é muito importante essa investigação prévia, além de um planejamento familiar. Caso a mulher deseje aguardar mais quatro ou cinco anos para engravidar, ela terá de tomar essa decisão imediatamente. Ou seja: fazer o congelamento de óvulos caso considere ter mais de um filho.

Como acontece o congelamento de óvulos?

A técnica utilizada para congelamento de óvulos é conhecida como vitrificação. Durante este processo, os óvulos são envolvidos em uma solução gelatinosa com alta concentração de crioprotetor – uma substância utilizada para proteger o ovulo, que é a maior célula do corpo humano, de danos que podem ser causados pelo congelamento ou criopreservação. Em poucos minutos, os óvulos chegam à temperatura de -196°C nos tanques de nitrogênio líquido.

Segundo Rafael Portela, biomédico e embriologista da Genics Medicina Reprodutiva, a solução crioprotetora impede a formação de cristais e conserva a estrutura celular intacta. “A evolução desta biotecnologia fez da vitrificação uma técnica segura e de resultados bem estabelecidos no mundo todo. Principalmente com a diminuição da formação de cristais de gelo no citoplasma do óvulo. No Brasil não é diferente. Tanto laboratórios de alta complexidade quanto embriologistas são preparados para realizar esse procedimento”, explica.

Custos

Mulher negra grávida com barriga à mostra e mãos sobre ela
O congelamento de óvulos é uma opção segura para quem já passou dos 30 anos.

O congelamento de óvulos está cada vez mais acessível, mas, para definir valores do tratamento, é necessária uma consulta/ triagem. A partir disso, o médico poderá indicar o melhor tratamento e o investimento necessário. Se você tem dúvidas, entre em contato com a Genics Medicina Reprodutiva por meio dos tels.: (11) 98334-0816 ou (11) 5052-1409. Estamos à disposição. Aguardamos!

Veja também: Infertilidade masculina e as principais causas