Doador de esperma no Brasil. O que pode ou não pode?

Espermatozoide de um doador de esperma.

O  Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que a doação de gametas (doação de esperma) deve ser anônima, ao contrário de outros países como os EUA, por exemplo. Aqui, casais que pretendem ter filhos por meio de técnicas como Inseminação Artificial ou Fertilização In Vitro, com sêmen ou óvulos doados não podem conhecer o doador, assim como o doador jamais saberá quem é o receptor. Veja como se dá todo o processo de doação de esperma no Brasil.

Quem pode ser um doador de esperma?

Qualquer pessoa pode se candidatar a ser um doador de esperma, desde que seja voluntário, visto que a legislação brasileira não permite o comércio desse serviço. Porém, existem algumas regras, como em relação à idade, que é de 18 a 40 anos.

Também é solicitada uma análise criteriosa da saúde do doador. Ele não pode ter histórico de doença genética ou crônica própria ou na família. Também não é aceito histórico de doenças sexualmente transmissíveis e malformações. O Conselho Federal de Medicina (CFM) ainda determina que a doação de gametas deve ser anônima.

Quais características podem ser reveladas sobre o doador?

No Pro-Seed – Banco de sêmen, por exemplo, um dos maiores do Brasil, é possível conhecer as seguintes características do doador de sêmen:

  • Fator ABO.
  • RH.
  • Raça.
  • Origem étnica.
  • Religião.
  • Cor de pele, cor e textura dos cabelos, cor dos olhos, altura e peso.
  • Ocupação, hobby, signo, comida e cor predileta, se tem ou não animal de estimação, se gosta de animais, preferência musical, se toca algum instrumento e se gosta de viajar).
  • Se é fumante.
  • Se serviu ao serviço militar.
  • Idiomas que fala.
  • Se tem deficiência visual, deficiência auditiva ou algum tipo de alergia.
  • Se vai ao dentista regularmente.
  • Se pratica atividades físicas e adota dieta suplementar.
  • Se tem gêmeos na família.

As clínicas no Brasil usam bancos próprios restritos aos pacientes de cada clínica e a doação é voluntária, ou seja, não é paga como acontece lá fora, mas o Brasil tem a mesma competência para os processos que envolvem doação de gametas e oferece a mesma segurança”, explica Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e diretor da Genics Medicina Reprodutiva.

Na maioria das clínicas brasileiras, como na Genics Medicina Reprodutiva, também é possível ter acesso a essas informações, além do estado completo de saúde do doador de esperma. “Os processos brasileiros são de excelente qualidade. Acontece é que não existem campanhas e políticas para doação de gametas.

As clínicas no Brasil usam bancos próprios restritos aos pacientes de cada clínica e a doação é voluntária, ou seja, não é paga como acontece lá fora, mas o Brasil tem a mesma competência para os processos que envolvem doação de gametas e oferece a mesma segurança”, explica Philip Wolff, professor e doutor em Ciências Biomédicas e diretor da Genics Medicina Reprodutiva.

Exames solicitados para avaliar a saúde do doador de esperma

Doador de esperma. Estetoscópio sobre um papel e caneta.
O casal deve buscar auxílio médico se estiver tentando engravidar há muito tempo.

Durante a avaliação clínica do doador, ele é submetido aos seguintes exames:

  • Treponema pallidum (Sífilis).
  • HIV 1.
  • HIV 2.
  • HBV
  • HCV
  • HTLV I e II.
  • Vírus Zika.
  • Chlamydiatrachomatis (Clamídia), e
  • Neisseria gonorrhoeae (Gonorreia).

Como é o processo de armazenamento do sêmen?

A coleta do esperma para o banco é feita em hospitais e clínicas de reprodução humana, por meio da masturbação masculina, mas existem casos em que pode ser realizada por cirurgia. Após a coleta é feita a análise seminal, que verifica a saúde dos gametas.

Estando dentro dos parâmetros, o material é armazenado por meio da técnica de criopreservação – processo de congelamento do material em nitrogênio líquido a 196 ºC, o que permite seu uso no futuro em processos de reprodução humana assistida, como a Fertilização In Vitro ou a Inseminação Artificial. Normalmente os médicos procuram oferecer amostras de doadores que tenham características físicas parecidas com a do receptor, como cor dos olhos, do cabelo e da pele.

Segundo Philip Wolff, a criopreservação também é empregada antes de procedimentos cirúrgicos que possam afetar a capacidade do homem em produzir espermatozoides. Pacientes que serão submetidos à vasectomia ou a tratamentos específicos de quimioterapia e radioterapia, que geralmente causam danos irreparáveis ao tecido germinativo masculino, também se beneficiam com essa técnica.

“A criopreservação de espermatozoides também tem sido empregada para armazenar células excedentes, provenientes de aspirados do epidídimo ou do testículo, para eventual uso em técnicas de reprodução assistida de alta complexidade (como a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide – ICSI). Os mesmos métodos também são utilizados para armazenar espermatozoides obtidos durante a reconstrução microcirúrgica do trato genital masculino (Vasovasostomia e Vasoepidídimostomia), como uma provável garantia de resguardar a fertilidade futura do homem”, explica Wolff.

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